Dilma compara excesso de escutas ao nazismo

A ministra da Casa Civil, DilmaRoussef, defendeu nesta segunda-feira uma regulamentação dascondições em que a Justiça define a possibilidade de escutastelefônicas e comparou esse tipo de invasão de privacidade aonazismo. "Primeiro pegam os judeus, depois as pessoas contrárias aoregime e depois o povo inteiro", afirmou. Dizendo não ter conhecimento sobre o afastamento temporárioda cúpula da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), por tersaído mais cedo de Brasília para evento de apoio à reeleição doprefeito de Vitória, Dilma disse a jornalistas que o Brasilvive hoje uma situação democrática, mas que requeraperfeiçoamento. "A gente não pode achar que está tudo bem. Acredito queesses aperfeiçoamentos são fundamentais para que haja umasituação de legalidade, de democracia", disse a ministra aochegar a Vitória para o jantar de adesão à candidatura do atualprefeito João Coser. "Nós estamos em um momento em que se divulga qualquer coisae qualquer pessoa hoje tem acesso aos instrumentos de controle,de monitoramento de longa distância, que necessita serregulado. Necessita que haja um processo de regulamentação queevite excessos." De acordo com Dilma, casos como o da escuta da Abin causamum desequilíbrio das instituições da república, "como é o casodesse absurdo feito no Supremo Tribunal Federal". A ministra disse desconhecer se as conversas dela tambémforam gravadas, mas que se isso ocorresse não haveria nenhumproblema "porque o que eu falo por telefone é passível de serescutado, porque é o dia-a-dia do exercício da minha função". Ela alertou porém que as pessoas podem ter acesso ainformações que podem ser usadas indevidamente. "É impossível, sob qualquer aspecto, aceitar grampo. Não sóde ministro de Estado como do cidadão comum, porque afeta umdireito máximo constitucional", afirmou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nestasegunda-feira afastar temporariamente toda a cúpula da Abin,após denúncias de escutas telefônicas ilegais. O afastamento é temporário até que a investigação sobre ossupostos grampos, a ser feita pelo Ministério Público e pelaPolícia Federal, seja concluída, disseram fontes do Planalto A avaliação do Planalto foi a de que o afastamento teria umalto custo político, mas era necessário para afastar um riscode crise institucional. Denúncia publicada na revista Veja, tendo como fonte umagente anônimo da Abin, acusa a agência de grampear telefonemasdo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, deministros do governo Lula e de políticos da situação e daoposição. PRÉ SAL Dilma reafirmou que os recursos oriundos do pré-sal serãoutilizados para o setor de educação no Brasil e afirmou que ariqueza encontrada no ano passado pela Petrobras e parceiros nabacia de Santos poderá triplicar o Produto Interno Brutobrasileiro. (Por Denise Luna; Reportagem adicional de Natuza Nery, emBrasília)

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