Dilma começa a depor no Senado; tática é tirar foco do dossiê

Ministra tentará cansar a oposição falando sobre o PAC; serão quase duas horas de apresentação sobre o plano

ANA LUÍSA WESTPHALEN, Agencia Estado

07 de maio de 2008 | 10h20

A audiência da Comissão de Infra-Estrutura que terá a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teve início nesta quarta-feira, 7, no Senado. A ministra foi convocada para falar sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da construção da usina de Belo Monte (PA). A oposição, porém, promete insistir nas perguntas sobre o suposto dossiê com despesas sigilosas de Fernando Henrique, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de ministros do governo tucano.   Veja também: Fórum: A ida de Dilma ao Senado ajuda a esclarecer o dossiê FHC? Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição   Por estar convencida de que o assunto está "quase encerrado", a base aliada tem uma estratégia bem definida: quer cansar a oposição com explicações detalhadas sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A pedido da tropa de choque governista, a ministra fará uma exposição sobre o PAC recheada de recursos gráficos. Serão quase duas horas de apresentação sobre o plano.   "Esse assunto (dossiê FHC) está quase encerrado. Se a ministra mantiver seu equilíbrio e se sair bem, a discussão sobre supostos dossiês fica sepultada de vez", avaliou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), vice-líder do bloco governista no Senado. "Essa é a chance para o governo virar a página e sair dessa agenda negativa." Blindagens governistas à parte, Dilma já avisou aos aliados que vai responder a todas as perguntas , mesmo as que provoquem desconforto por tratarem da produção do dossiê. A ministra dirá que a Polícia Federal e a própria Casa Civil têm investigações em andamento sobre o vazamento das informações.   Após a exposição sobre todos os pontos do PAC, Dilma passará a responder às perguntas. E terá o apoio da tropa de choque governista. "Se houver abuso, tratamento desrespeitoso, ofensa pessoal ou ironia vamos reagir", avisou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti. "A sessão vai ser uma espécie de rodízio. Nós do governo faremos perguntas longas sobre o PAC e a ministra falará à vontade sobre o assunto. Em seguida, alguém da oposição perguntará sobre o dossiê e, logo depois, voltaremos com mais perguntas sobre o PAC", explicou Casagrande.

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