Dilma cogita dar mais autonomia a titular da Fazenda

A aliados, presidente sinaliza que pode 'surpreender' com a escolha de futuro ministro; anúncio deve ocorrer após reunião do G-20

RICARDO BRITO, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2014 | 02h02

BRASÍLIA - A presidente reeleita Dilma Rousseff acenou a aliados que poderá indicar um ministro da Fazenda com perfil mais autônomo para conduzir a política macroeconômica. Dilma manteve uma série de encontros com a bancada do PT do Senado, com senadores do partido individualmente e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos quais chegou a dizer que poderia "surpreender" com a escolha do titular da pasta.

A "surpresa" foi entendida como um ministro com mais autonomia em relação ao Planalto do que o atual titular do cargo, Guido Mantega. A presidente deve indicar o escolhido após a cúpula do G-20, em Brisbane (Austrália), no próximo fim de semana.

Contudo, em nenhuma das conversas, segundo relatos obtidos pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a presidente mencionou nomes aos interlocutores. Mas, petistas que estiveram com Dilma e Lula - que tem tratado com a presidente da reforma ministerial - nos últimos dias confirmam que o perfil está entre o ex-presidente do Banco Central no governo Lula Henrique Meirelles e o ex-secretário-executivo da Fazenda Nelson Barbosa.

Um importante quadro do PT no Senado disse que, com qualquer um dos dois nomes, o governo acenará com mudanças. E destacou que Barbosa ou Meirelles só topariam assumir o posto com carta branca para conduzir os rumos da economia a partir de 2015.

Após o fraco desempenho da economia neste ano, os próprios petistas reconhecem reservadamente que Dilma precisaria indicar um nome que resgate a credibilidade do governo na área. Os parlamentares afirmam que Dilma, que é economista de formação, não pode cuidar da área na prática, como fez no primeiro mandato, ao não delegar poderes integralmente a Mantega. O governo precisa designar alguém para essa condução, abrindo espaço para que a presidente cuide mais prioritariamente da área social e dos projetos de infraestrutura, por exemplo.

Predileção. As bancadas do PT da Câmara e do Senado demonstram uma predileção maior por Barbosa. Ele é considerado pelos parlamentares como um nome que teria interlocução política - na Fazenda, Barbosa foi um dos principais articuladores da reforma tributária enviada em 2013 por Dilma ao Congresso. Ao mesmo tempo, avaliam, tem força no mercado para conduzir a política macroeconômica.

Entretanto, outro senador petista que conversou tanto com Dilma quanto com Lula na semana passada ficou com a impressão de que Meirelles está sendo, sim, considerado pela presidente para assumir o ministério. Eterno candidato de Lula, ele sempre foi preterido politicamente nos planos de Dilma.

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