Dilma cobra de Obama fim de barreiras comerciais

Em discurso no Palácio do Planalto, presidente do Brasil coloca questão como necessária para haver uma relação mais justa e equilibrada entre os dois países

Tânia Monteiro e Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo

19 de março de 2011 | 15h03

 BRASÍLIA - Em nome da "franqueza" e para construir "uma relação de maior profundidade", a presidente Dilma Rousseff disse neste sábado, 19, ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no pronunciamento conjunto dos chefes de Estado após reunião reservada no Palácio do Planalto, que uma relação comercial mais justa e equilibrada exige "que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos". Obama, por sua vez, citou a consolidação democrática no Brasil e enfatizou o crescimento econômico brasileiro ao afirmar que não foi coincidência a escolha do País como a primeira parada em seu périplo pela América Latina.

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Dilma agradeceu a "gentileza" da visita, "logo no início" de seu governo e fez questão de se apresentar como herdeira do governo do "querido companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a honra de trabalhar." A presidente citou "o legado" de inclusão social do ex-presidente Lula e lembrou que, no Planalto, estavam juntos a primeira a mulher eleita no Brasil e o primeiro presidente dos EUA "afrodescendente".

 

Crise mundial. Dilma cobrou, de maneira explícita, reformas nos organismos de governança global, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird), e se disse preocupada com a "lentidão" do processo que mantém as instituições como representantes de "um mundo antigo".

 

Ao citar as Nações Unidas e o Conselho de Segurança, a presidente brasileira fez questão de dizer porque o Brasil disputa um lugar como membro permanente no órgão. "Aqui, senhor presidente, não nos move o interesse menor da ocupação burocrática de espaços de representação. O que nos mobiliza é a certeza que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e harmonia entre os povos."

 

Ela reconheceu que foram feitos progressos, desde a crise financeira de 2008-2009, mas considerou as mudanças ainda são "limitadas e tardias". A brasileira ressaltou que crê na retomada econômica americana.

 

Ditadura x democracia. Obama, que aproveitou parte do pronunciamento conjunto para falar da decisão dos EUA de aprovar a reação militar na Líbia, ressaltou a importância da consolidação democrática no Brasil e a atuação de Dilma Rousseff no combate à ditadura no País.

 

O presidente dos Estados Unidos enfatizou que o Brasil dá importantes sinais de crescimento econômico, passando de "receptor a doador" de recursos internacionais.

 

"O crescimento extraordinário do Brasil tem chamado a atenção do mundo todo, graças ao sacrifício de pessoas como a presidente Rousseff. O Brasil saiu da ditadura para a democracia e é uma das nações que mais crescem no mundo. Hoje, os Estados Unidos e o Brasil são as maiores democracias desse continente e também as maiores economias", afirmou Obama.

 

Em relação ao petróleo, o presidente dos EUA disse que seu país está interessado em ser "um grande cliente" do Brasil no futuro.

 

Bem-humorado, Obama citou ainda a necessidade de cooperação entre os países para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, mas disse que ainda lamenta o fato de Chicago ter perdido a disputa com o Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos.

 

Empresários. Após o encontro no Planalto, Dilma e Obama participaram do encerramento do 4.º Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos. "Esta visita é uma grande oportunidade para inaugurarmos mais um capítulo de nossa parceria, adequando-a às realidades e desafios do século 21. É motivo de grande honra para mim que esse encontro ocorra nos primeiros meses do meu governo e, mais ainda, no contexto da primeira viagem oficial do presidente Obama à América do Sul", disse a presidente Dilma.

 

Brindes. Os dois chefes de Estado participaram, ainda, de almoço no Palácio do Itamaraty, com autoridades e políticos dos dois países. No brinde, Dilma reafirmou o compromisso de buscar " a erradicação da pobreza extrema no Brasil". Obama agradeceu a presidente brasileira e reforçou o interesse dos Estados Unidos em ajudar o Brasil em quaisquer circunstâncias.

 

Vegetariano, Obama teve um cardápio especial. De Brasília, o presidente Barack Obama embarcaria no início da noite para o Rio de Janeiro, onde visitará neste domingo, 20, o Cristo Redentor e fará um discurso reservado no Theatro Municipal. De Brasília, Obama segue para o Chile.

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