Dilma classifica polêmica envolvendo exilados como 'vilania'

Pré-candidata do PT diz ter sido mal entendida e afirma que fala é 'extremamente atual'

Carmem Pompeu, da Agência Estado

13 de abril de 2010 | 17h17

A pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, classificou de "vilania" as interpretações feitas sobre declaração feita sábado durante discurso em São Bernardo.

 

Segundo Dilma, o objetivo de seus opositores com o que chamou de "distorção" seria fugir do debate de propostas. E alfinetou, parodiando o "slogan" de Serra: "Nós temos muito a apresentar e a discutir. Não é que nós podemos mais. Nós fizemos mais".

 

Em seu Twitter,nesta terça-feira, Dilma voltou a se esclarecer pela segunda vez, afirmando que a declaração não foi um ataque ao ex-governador e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. Dilma escreveu questionando quem seriam as pessoas interessadas nas "interpretações falsas" de seu discurso: "A quem interessa criar interpretações falsas sobre as minhas palavras? Não importa, a verdade se impõe.Vou seguir em frente".  Ela garante não ter se referido aos exilados, mas sim tratado de questões atuais.

 

Releu o trecho para os jornalistas presentes à coletiva e disse que a interpretação correta seria: "Não precisa tentar me atemorizar porque eu não vou ser atemorizada. Não precisa achar que debaixo da saraivada de críticas que eu recebo diariamente eu vou deixar de pensar no que eu acredito e nem que vou deixar de fazer aquilo que eu creio. É esse o sentido. É uma fala extremamente atual".

 

Dilma disse ser imune aos ataques. "Podem ter certeza que certos usos incorretos das minhas palavras, certas tentativas de distorção não pegam. Essa a respeito dos exilados, me parece, é da mesma categoria daquela que o senador José Agripino (DEM-RN) tentou fazer comigo lá no Senado. Ele pegou um papel e começou a ler dizendo que eu era uma pessoa que mentia porque tinha dito que mentia sob tortura".

 

A ex-ministra explicou que não se referiu aos exilados quando disse que não fugia da luta. "Tanto a clandestinidade como o exílio eles tinham o mesmo efeito. A gente entrava na clandestinidade ou no exílio não porque queria, não porque a gente optava. A gente fazia isso por um motivo muito simples: porque muitas vezes era a diferença entre a vida e a morte". E reiterou: "Eu repudio integralmente. Considero mesmo que é uma vilania as interpretações forçadas que querem ler a seguinte frase: ''Eu não fujo da situação quando ela fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Eu posso apanhar, sofrer e ser maltratada como já fui, mas estou sempre firme com as minhas convicções''. Interpretar isso como sendo uma crítica ao exílio ou medo da clandestinidade é uma vilania".

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