Dilma chega ao Paraguai para reunião com novo presidente

A presidente Dilma Rousseff chegou no início da noite desta quarta-feira, 14, a Assunção direto para um encontro bilateral com o novo presidente do Paraguai, Horácio Cartes. A conversa, a primeira pessoalmente dos dois chefes de Estado, marca o início de uma reaproximação entre Brasil e Paraguai e cumpre o ritual desejado pelo novo governo de renovar primeiro as relações bilaterais, antes de tratar de sua volta ao Mercosul.

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

14 de agosto de 2013 | 20h53

Nesta quarta-feira, em uma entrevista a uma rádio local, Eladio Loizaga, o novo chanceler paraguaio afirmou que é preciso "reconstruir a confiança" com os países originais do Mercosul - Argentina, Brasil e Uruguai -, mas que isso começará nas relações bilaterais.

Cartes irá conversar individualmente não apenas com Dilma, mas com a Cristina Kirchner e José Mujica. "Existe a mais alta predisposição para que se inicie um diálogo, mas primeiro para avançar em um plano bilateral", afirmou o chanceler.

A partir de quinta-feira, 15, a suspensão do Paraguai do Mercosul - e também da União das Nações Sul-americanas (Unasul) - está sem efeito. Isso não significa, no entanto, que o Paraguai voltará imediatamente ao bloco. Durante a reunião de Montevidéu, em junho, o então presidente eleito mandou avisar que, se a Venezuela assumisse a presidência, o país não voltaria imediatamente.

O novo governo tem evitado a retórica agressiva adotada por Federico Franco, o presidente de saída que assumiu após o impeachment de Fernando Lugo. O agora ex-chanceler José Félix Fernandez Estigarribia chegou a afirmar em entrevista recente ao jornal ABC Color que o Mercosul deveria oferecer uma indenização ao Paraguai e cobrou desculpas do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao povo paraguaio - Maduro não foi convidado para a posse.

Loizaga já adota discurso mais conciliador, mesmo sobre a Venezuela. Na mesma entrevista, afirmou que talvez seja preciso sim retomar as conversas com os venezuelanos "com respeito e igualdade entre os dois Estados". "Acredito que oportunamente isso acontecerá, com o maior cuidado". Também informou que é prioridade para a chancelaria indicar embaixadores para Brasil, Argentina e Uruguai, sem representação de alto nível desde a suspensão, em junho do ano passado.

A presença dos três chefes de Estado dos países originais do Mercosul foi tomado pelos paraguaios como um gesto apaziguador e de respeito, algo que o orgulho ferido do país esperava. A decisão de comparecer em bloco tinha sido pedida por Dilma ao final da reunião do bloco, em junho, para mostrar a Cartes a importância do país. Inicialmente, no entanto, Cristina Kirchner não viria - até este final de semana, a presidente argentina não havia confirmado. Estava na lista apenas seu vice, Amado Boudou. A confirmação veio na segunda-feira, 12.

No governo brasileiro, no entanto, não se espera uma resposta imediata de Cartes, que precisa ainda tomar ainda pé do governo. Além disso, não se imagina um movimento efetivo por parte dos paraguaios enquanto a presidência estiver nas mãos dos venezuelanos, o que mudará em dezembro.

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