Dilma chamará Conselho Político por pacto antidespesa

Preocupada com a possibilidade de estouro de gastos em decorrência da possibilidade de aprovação de despesas pelo Congresso, num momento em que a situação fiscal do País merece atenção, a presidente Dilma Rousseff propôs nesta quarta-feira, 13, aos deputados um pacto pelo não aumento de despesas. Na segunda-feira, Dilma vai reiterar o apelo aos senadores e, na terça-feira, 12, quer convocar o Conselho Político para acertar o acordo.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

13 de novembro de 2013 | 18h57

De acordo com os deputados presentes à reunião desta quarta-feira, ela rechaçou as notícias de que o País esteja em crise, mas advertiu que não se pode criar despesas para não afetar o risco-Brasil porque a turbulência internacional não está debelada e não se sabe como ela se comportará. "Não se pode descuidar da situação fiscal do País, pois a situação internacional suscita dúvidas", disse, de acordo com o líder do PDT na Câmara, Anthony Garotinho (RJ), um dos presentes ao encontro que durou cerca de duas horas e 30 minutos.

Ainda segundo Anthony Garotinho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrou que as despesas crescem 14%, enquanto as receitas sobem apenas 11%. "É preciso cuidar para que não se tenha um embaraço financeiro", teria dito Mantega, conforme relato o líder do PDT na Câmara.

De acordo com o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), na reunião desta quarta, com quatro ministros e 11 líderes dos partidos da base na Câmara, Dilma afirmou que, apesar de o Brasil não estar em crise, mas os jornais insistirem nesta tese diariamente, é preciso "estar atento" à situação econômica do País e do mundo, porque não vivemos em uma ilha.

Na análise da presidente, ainda segundo Arantes, o governo fez muitas desonerações nos últimos anos para assegurar os empregos e o crescimento, mas agora chegou o momento de apertar o cinto e todos darem a contribuição. Neste momento, Dilma apelou aos deputados que não deixem que os projetos que criam despesa, como o do piso salarial dos agentes comunitários, sejam aprovados pelo Congresso porque podem afetar o risco-Brasil. A presidente, conforme ele, disse que "a crise não está debelada".

O líder do PP, deputado Eduardo da Fonte (PE), declarou que Dilma lembrou que "o momento econômico mundial não é satisfatório" e que "é preciso colaboração do Congresso para que novas despesas não sejam criadas porque elas podem trazer embaraços financeiros para o País". De acordo com Fonte, a presidente afirmou que criar novas despesas neste momento "delicado" da economia pode "trazer consequências para o risco-Brasil".

Dilma insistiu que "o momento econômico no País não é simples e requer colaboração de todos". A presidente teria insistido que a administração federal abriu mão de muitas receitas para garantir empregos e que, por isso mesmo, não é possível, neste momento, conceder aumentos salariais ou criar pisos para categorias porque outras poderiam vir em bloco exigir o mesmo, o que não será possível, segundo ela.

Os deputados reclamaram que Dilma teria de se reunir com os senadores porque a maior parte das despesas é criada em projetos que nasceram no Senado. A presidente prometeu, então, uma reunião com os líderes do Senado na segunda-feira, 18, e, na terça, com o Conselho Político. O conselho reúne não só os presidentes da Câmara e do Senado, mas os líderes das legendas da base e presidentes de todas as siglas.

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