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Dilma chama ministro da Educação no Planalto para demiti-lo

Aloizio Mercadante, que vai deixar a Casa Civil para voltar a comandar pasta, vai ser o quarto ministro da Educação em dez meses

Isadora Peron e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 19h02

Atualizado às 20h27

Brasília - Depois do mal-estar causado por demitir o ministro da Saúde, Arthur Chioro, por telefone, a presidente Dilma Rousseff chamou Renato Janine Ribeiro no Palácio do Planalto nesta quarta-feira para comunicá-lo que ele vai deixar o Ministério da Educação. De perfil técnico, o professor da USP havia acabado de completar seis meses na pasta.

Dilma decidiu substituir o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), na reforma ministerial prevista para ser anunciada nesta quinta-feira, 1º, e deve alojá-lo no Ministério da Educação, pasta que ele já ocupou por dois anos - de janeiro de 2012 a janeiro de 2014. 

Com o agravamento da crise política, Dilma quis dar um sinal mais forte de que pretende "recomeçar" o segundo mandato, com mudanças mais amplas, inclusive no coração do governo. Jaques Wagner (PT), atual ministro da Defesa, vai ocupar o lugar de Mercadante na Casa Civil. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha aconselhando Dilma a tirar Mercadante do cargo, que também comanda a articulação com o Congresso. Os partidos aliados, especialmente o PMDB, queixavam-se da atuação do petista na coordenação política. Uma das principais reclamações era de que o chefe da Casa Civil estaria patrocinando a criação de novos partidos, especialmente o novo Partido Liberal (PL), organizado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD). Para esses críticos, o petista tumultuaria o diálogo entre o Planalto e o PMDB, e teria sido um dos responsáveis pela crise política.

Apesar das críticas de vários parlamentares, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), negou, nesta quarta, que tenha "ressentimento" de Mercadante. "Eu, sinceramente, quero dar uma declaração de público aqui. Como líder do PMDB, não tenho nenhum ressentimento, nenhuma queixa do ministro Mercadante, pelo menos com a liderança do PMDB no Senado", afirmou.  

Lulista. Para o lugar Mercadante na Casa Civil, Dilma deve indicar o atual ministro da Defesa, Jaques Wagner, nome próximo de Lula. Nesta quarta, Wagner disse que vai deixar a pasta com tristeza se for confirmada a troca, mas deixou claro que aceitará a nova função: "Eu não vou negar, se for formalizado o convite, vou cumprir minha missão, mas deixo a pasta com tristeza, porque eu vislumbrava uma caminhada, ainda há muita coisa pra gente melhorar", afirmou. 

Segundo ele, a nova formatação ministerial deve trazer uma diferenciação mais clara entre as funções da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais, que deve passar a se chamar Secretaria de Governo. "Isso vai azeitar a relação, porque não pode ter duas, três cabeças fazendo o mesmo processo de negociação", disse Wagner, segundo quem Mercadante é da "mais alta qualidade, lealdade e competência", e da confiança de Dilma, mas sofria um "eventual desgaste".

Em lugar de Wagner, a ideia da presidente é deslocar o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB), para a Defesa. Rebelo disse, nesta quarta, que não sabia da hipótese de trocar de pasta. "Nem conhecia que há essa hipótese (de ser ministro da Defesa) em tela". "Estou sabendo agora", disse ele. "Não é atribuição de ministro nem escolher nem discutir a reforma ministerial, a não ser quando convocado formalmente pela presidente da República". 

Sete ministérios. A reforma ministerial tem o objetivo de tentar amenizar a crise enfrentada por Dilma com seus aliados. Para acalmar o PMDB, a tendência é que o partido fique com sete ministérios, dois a mais do que o número atual. Ficou acertado que a bancada do partido na Câmara, comandada por Leonardo Picciani (RJ), comandará duas pastas. Uma deve ser o Ministério da Saúde. É possível que não haja mais, como cogitada, a fusão do Ministério da Pesca, hoje nas mãos de Helder Barbalho, com Agricultura. Dilma pretende também se reaproximar de seu vice-presidente, Michel Temer, que comanda o PMDB, mantendo Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Henrique Eduardo Alves (Turismo). Ficam na equipe, ainda, os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia) e Kátia Abreu (Agricultura) como representantes do Senado. 

O titular das Comunicações, Ricardo Berzoini, deve assumir o novo Ministério da Secretaria de Governo, que pode incluir até a Controladoria-Geral da União. As pastas de Direitos Humanos, Políticas para Mulheres e Igualdade Racial serão fundidas, dando origem ao Ministério da Cidadania. Embora Miguel Rossetto, atual titular da Secretaria-Geral da Presidência, seja o mais cotado para o novo ministério, Dilma teria sido presionada por movimentos sociais a entregar o cargo para uma mulher. 

Previdência Social, Trabalho e Desenvolvimento Social também devem ser agregados em um só ministério. O PDT foi convidado para tocar Comunicações. O Ministério dos Transportes deve continuar com o PR, e a Integração Nacional, com o PP. Dilma agora quer trazer o PSB - que desembarcou do governo em setembro de 2013 - de volta, e uma possibilidade é dar à sigla a pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, que deve ser deixada por Aldo Rebelo. 

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