'Dilma avança nas camadas mais populares'

Jairo Nicolau, cientista político

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 09h45

O cientista político Jairo Nicolau afirma que "o jogo está totalmente aberto", ao analisar a última pesquisa CNI/Ibope que mostra Dilma Rousseff e José Serra numa faixa "entre 30% e 40% dos votos", mas destaca crescimento da petista no extrato de menor instrução e renda, base do eleitorado lulista. "Dilma começou crescendo entre eleitores com maior escolaridade, depois passou a se destacar entre o eleitor médio e agora chegou às camadas mais populares. Se armar a transferência de voto de maneira enfática, acabou."

 

O que explica o crescimento de Dilma num momento em que Serra teve mais exposição na TV?

 

Temos de olhar as pesquisas sem achar que têm tanto poder. Elas têm um quadro esmaecido. Não se trata de corrida de ultrapassagem. Sabemos que Dilma e Serra estão entre 30% e 40%. Essa virada é estatística. Mas a pesquisa traz duas notícias ruins para Serra. A primeira é que sua hiper-exposição não gerou efeito. Ele é tão conhecido que aparecer muitas vezes na televisão não muda o quadro.

 

Qual é a outra notícia ruim?

 

O mais preocupante para Serra é a entrada da Dilma nos setores de mais baixa renda e menor instrução. Já havia tempo que ela se destacava nessas faixas. Acompanho de perto pesquisas feitas no Rio, e elas demonstravam que o Serra se mantinha na frente nesses setores. Ela chegou lá embaixo entre os eleitores da base lulista. Se o padrão do Rio se replicou em outros Estados, é péssima notícia para o PSDB.

 

O eleitorado está reconhecendo Dilma como candidata de Lula?

 

Ela começou crescendo entre o eleitorado de maior escolaridade, passou para o eleitor médio e chegou às camadas mais populares. Se armar transferência de voto de maneira enfática, acabou. Esse eleitor menos informado e que se decide por último é um eleitor lulista.

 

Está havendo erro de estratégia na campanha tucana?

 

O PSDB fez uma escolha. Campanha é que nem quando o técnico faz uma substituição. Se ela funciona, o cara é um gênio. Se não, é uma besta. O PSDB não tem cometido erros táticos.

 

Como o sr. avalia eventual mudança de postura, com Serra passando a atacar Lula?

 

Fazer isso contra um governo com mais de 70% de aprovação é erro. O índice é avassalador.

 

Há possibilidade de vitória de Dilma no primeiro turno?

 

A eleição pode ser definida no primeiro turno, tanto de um lado como para o outro.

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