Dilma avalia indicações e PMDB cobra espaço no governo

Dilma avalia indicações e PMDB cobra espaço no governo

Partido rejeita status de aliado e quer ‘porteira fechada’ nos ministérios; Planalto dá aval a Cid para fortalecer base

O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 00h26

Brasília - Enquanto a presidente Dilma Rousseff discute com os assessores mais próximos e com o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a composição do ministério no segundo mandato, dirigentes do PMDB exigem tratamento igual ao dado ao PT na divisão de pastas a partir de janeiro. Ao mesmo tempo, a ala do partido do vice-presidente Michel Temer refratária ao governo articula na Câmara a eleição do líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), para a presidência da Casa a partir de fevereiro.

O PMDB alega ser mais que um aliado e, por isso, considera ter direito a ministérios de “porta fechada” – isto é, domínio total da pasta, sem que o titular seja de um partido e o secretário executivo, primeiro cargo abaixo do ministro, de outro.

“Não somos aliados como o governador Cid (Gomes, do PROS). Somos governo. O governo elegeu o presidente e o vice-presidente. Nós somos governo”, afirmou Temer, horas depois de o cearense ser recebido por Dilma no Palácio do Planalto e dizer aos jornalistas que sugeriu a criação de uma frente de esquerda, com pelo menos 50 deputados, para “ajudar na governabilidade e reduzir o espaço da pressão que muitas vezes beira até a chantagem”.

O plano de Cid, avalizado pelo Planalto, tem como objetivo reduzir a dependência do governo em relação às bancadas do PMDB no Congresso – em especial da Câmara, onde estão a maioria dos insatisfeitos do partido. Consequência disso é a articulação do líder da legenda para viabilizar sua candidatura à presidência da Casa.

Blocão. Nesta terça, Cunha obteve adesão de quatro partidos – PR, PTB, Solidariedade (SD) e PSC – para sua pretensão. As siglas elegeram 152 dos 513 deputados da próxima legislatura e acertaram a manutenção do “blocão” que, desde 2013, tem dificultado a vida do governo na Casa. “Se a gente não pode divergir, não temos uma democracia”, disse Cunha, ao explicar que a conversa girou em torno de uma proposta de “autonomia” para a Câmara.

No Senado, os peemedebistas também se reuniram e acertaram a tática de atuação em conjunto. O presidente da Casa e candidato à reeleição, Renan Calheiros (AL), esteve com colegas de bancada como Valdir Raupp (RO), Lobão Filho (MA), Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE), respectivamente líder do governo e do PMDB no Senado.

À noite, dirigentes do partido jantaram com Temer. Nesta quarta, o conselho político da sigla vai reunir governadores, deputados e senadores atuais e eleitos, a fim de unificarem o discurso em torno da reforma política. O PMDB rejeita a tese de plebiscito defendida por Dilma.

Ministérios. A presidente, por sua vez, ainda tenta fechar o quebra-cabeças da equipe do segundo mandato. Reunida com Lula e o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) na Granja do Torto, nesta terça, recebeu do antecessor indicações para vários cargos e o conselho de que é preciso dar sinais o quanto antes para acalmar o mercado, ansioso em saber quem será o ministro da Fazenda. / JOÃO DOMINGOS, RAFAEL MORAES MOURA, RICARDO BRITO, RICARDO DELLA COLETTA, TÂNIA MONTEIRO E VERA ROSA

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