Dilma ataca combate à inflação na gestão de FHC

Em mais um sinal de que está em campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff usou nesta quarta-feira, 24, um dos temas mais criticados do seu governo - a política de combate à inflação - para atacar a gestão Fernando Henrique Cardoso. "Nos últimos quatro anos antes do Lula, em três a inflação ficou acima da meta", disparou Dilma, que afirmou ser necessário "enfrentar mentiras com dados verdadeiros".

RAFAEL MORAES MOURA E TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

25 de julho de 2013 | 00h06

Dilma esteve nesta quarta-feira em Salvador para participar, ao lado de seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, de seminário sobre os dez anos de administração petista. Os dois tiveram uma reunião privada durante mais de três horas no hotel que abrigou o evento - enquanto isso, um grupo de cerca de 150 manifestantes, entre médicos, sem-terra e pescadores, protestava nas redondezas.

"Quando alguém disser que a inflação está fora de controle, temos de responder que não é verdade. (Temos de responder) Que a inflação vai fechar 2013 dentro da meta. Digam que este será o décimo ano seguido em que a inflação está sob rigoroso controle e lembremos que nos últimos quatro anos anteriores ao governo do presidente Lula, em três a inflação ficou acima da meta", disse Dilma, cuja popularidade desmoronou após a alta nos preços e os protestos nas ruas.

Mais tarde, ao ser questionado sobre o uso da inflação para atacar os tucanos, Lula disse que a "oposição não tem condição de discutir inflação conosco". "Nós estamos há 10 anos consecutivos mantendo a meta da inflação, a inflação pra nós é uma coisa sagrada. E se alguém ganha dinheiro com inflação, vai ganhar em outro lugar, porque no Brasil ela não volta", afirmou Lula. Indagado se Dilma seria candidata à reeleição, Lula respondeu, irônico: "você viu que parece, né?"

Oposição.

Em um longo discurso durante o seminário, Lula sugeriu que Dilma fizesse oposição a si mesma. Ao falar sobre as manifestações populares e o consequente desgaste dos políticos com os protestos, Lula disse que, "se pudesse voltar, faria oposição" a si mesmo. "Hoje, eu descubro o quanto eu poderia ter feito mais", justificou. "E você, Dilminha, pode começar a fazer oposição a você mesma. Porque é o seguinte: a gente pode fazer muito mais." Apesar disso, Lula defendeu o legado de seu governo diante das manifestações. Disse que foi seu partido que "ensinou aqueles de baixo que eles podiam ter vez e voz" e que, durante seu governo, o brasileiro "conquistou o direito de andar de cabeça erguida." "Eu fico pensando o que seria o Brasil sem o PT", divagou. "A gente tem de olhar para dez anos atrás, quando chegamos ao poder. Temos o direito de reivindicar tudo que falta, mas o dever de dizer que tudo aquilo que conquistamos", disse Lula, recebido pela claque por gritos de "Olê-olê-olê-olá, Lula, Lula".

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