Dilma associa fala de adversária ao regime militar

Presidente diz que renegar partidos é 'flertar com o autoritarismo' e afirma que plano de Marina põe em risco o Minha Casa Minha Vida

MATEUS COUTINHO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2014 | 04h23

Em evento do diretório do PMDB de São Paulo em Jales, a presidente Dilma Rousseff partiu para o ataque à candidata do PSB, Marina Silva. Em um discurso focado na "defesa das instituições", a presidente relembrou o período ditatorial para criticar o discursos da ex-senadora de que não governa com partidos, mas sim com pessoas.

"Em uma democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo", afirmou a presidente, fazendo referência a uma recente declaração de Marina segundo a qual governará, se eleita, com os "melhores" de cada partido.

Ela procurou, também, associar o discurso de Marina à ditadura militar que, segundo ela, foi o período em que "poucos e bons" governavam. "Eu me lembro da ditadura, onde o que se dizia era o seguinte: empresário é para fazer negócio, estudante é só para estudar, todas as pessoas têm que trabalhar. Uns poucos, uns bons, governarão", disse. "Poucos e bons governaram, essa era a visão mais atrasada, que nós na época chamávamos a visão da tecnocracia, de que tinha no Brasil (sic) escolhidos que não eram escolhidos pelo povo e que eram os mais capazes", acrescentou a petista.

A fala da presidente ocorre um dia após a divulgação de nova pesquisa que mostrou Dilma empatada com Marina Silva no primeiro turno da disputa presidencial com 34% das intenções de voto e, no segundo turno, uma vitória de Marina com 10 pontos de vantagem.

Dilma também atacou o programa de governo de Marina, que prevê uma redução da participação do Estado na economia e uma menor intervenção de bancos estatais. "Se diminuírem o crédito do banco público, acaba o Minha Casa Minha Vida", afirmou a presidente, referindo-se ao principal programa habitacional do governo e bandeira de sua campanha à reeleição. Ela explicou ainda que somente os bancos públicos conseguem financiar o programa. "A política de subsídio garante que a gente complete o dinheiro das pessoas que ganham até 1600 reais para que elas possam comprar uma casa", afirmou. "Os bancos privados colocariam esse dinheiro? Certamente que não", desafiou.

Ela também lembrou que o agronegócio, por meio do plano Safra, e até a agricultura familiar são financiados por bancos públicos. "Hoje todo o dinheiro do plano Safra e da agricultura, tanto a grande quanto a média e a pequena, é financiado pelo governo federal por meio de bancos públicos", disse a presidente. "Não é só o Minha Casa Minha Vida que vai acabar, o mais grave é que também não vai ter plano Safra do agronegócio."

Questionado sobre as pesquisas de intenção de voto, o vice-presidente Michel Temer desconversou. "Não preocupa não, nós temos um mês e quatro dias de campanha", disse. Neste mesmo período, em 2010, o Datafolha apontava a presidente com 47% das intenções de voto contra 29% de José Serra (PSDB) e 9% de Marina. Mas, naquela época, as pesquisas apontavam a vitória de Dilma no 2.º turno.

Tentando não deixar transparecer preocupação com os novos números do Datafolha, Temer deixou claro que a campanha precisa "politizar" e reforçou o discurso da "preocupação com as instituições". "Temos que mostrar o que o governo fez, mostrando mais mudanças para o futuro e, do outro lado, a política, nosso governo é obediente às instituições", disse.

Redes sociais. O perfil de Dilma no Facebook divulgou ontem um texto que comenta a exclusão de temas caros aos homossexuais do programa de governo de Marina. O texto afirma que Marina é "um grande ponto de interrogação", chama a ex-ministra do Meio Ambiente de "evangélica fervorosa" e diz que ela, assim como o PSB, apesar do discurso da "nova política", se utilizam de "velhas práticas". / COLABOROU LUCAS DE ABREU MAIA

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