Dilma: assinar sem ler pode ocorrer com qualquer um

Candidata minimizou 'erro' do partido, que apresentou programa de governo polêmico ao TSE

Anne Warth, Agência Estado

07 Julho 2010 | 19h31

SÃO PAULO - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, justificou na quarta-feira, 7, sua assinatura no programa de governo, entregue por engano pelo partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como algo que "pode ocorrer com qualquer pessoa e qualquer partido". O PT entregou à Justiça Eleitoral documento aprovado pelo Congresso da sigla com medidas polêmicas, como o controle social da mídia e a taxação de grandes fortunas. O texto não correspondia ao programa de governo da candidata do partido. Mesmo assim, Dilma rubricou, sem ler, todas as páginas do programa errado.

 

Veja página especial de Dilma Rousseff

 

"Acho que é fazer muito barulho por nada", afirmou. "O que ocorreu pode acontecer com qualquer pessoa e com qualquer partido", acrescentou Dilma, após assistir a uma apresentação de crianças do Instituto Baccarelli, em Heliópolis, zona sul de São Paulo. "Não somos perfeitos, nós erramos. Não me consta que o partido adversário não erre. Até porque, em matéria de erros, acho que eles cometeram muito mais até agora", ironizou Dilma, em referência ao PSDB, partido de seu principal adversário na corrida eleitoral, José Serra.

 

A candidata afirmou ter muitas discordâncias em relação ao conteúdo do programa entregue de maneira errônea ao TSE. "A campanha é uma coligação, nós não concordamos com vários pontos" explicou, salientando mais uma vez que sua equipe de campanha elaborou um outro programa. "Quando estava embarcando para viajar, pediram-me rubricas, e eu rubriquei todos os documentos. Imediatamente percebemos o erro. Tanto é assim que, antes de esgotar o prazo legal, comunicamos ao TSE sobre a falha e mudamos", justificou.

 

A petista lembrou ainda que o atual programa de sua campanha, entregue ao TSE, também é provisório e será modificado. "Nós ainda vamos fazer alterações quando todos os programas dos partidos que se coligaram conosco estiverem discutidos. Formaremos um consenso", afirmou. "Se vocês consultarem o documento, verão que está informado que ele é um documento provisório", enfatizou. "É possível, é legal, não tem nenhum problema. Isso é uma tentativa de politizar o ''impolitizável''", destacou.

 

Bolsa Família. A presidenciável menosprezou iniciativa do PSDB que pretende entregar aos eleitores carta em que garante a manutenção de programas sociais do governo Luiz Inácio Lula da Silva, como o Bolsa Família. O documento seria uma espécie de nova versão da "Carta ao Povo Brasileiro", distribuída por Lula nas eleições de 2002. "Eu acho muito estranho. Nós nunca escondemos que a questão social era a parte central de nosso programa de governo, desde 2002. Ela não pode ser apenas um apêndice, um anexo de um programa de governo", afirmou.

 

Dilma defendeu ainda que o Bolsa Família não é igual ou mesmo uma junção de programas sociais lançados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). "Acho que as pessoas têm de perceber que tem uma diferença: quem faz promessas em época de campanha e quem as realiza quando está no governo. Nós somos o último tipo, que prometemos em campanha e realizamos", declarou. A candidata do PT também fez questão de se diferenciar de seu principal oponente na disputa eleitoral. "O Bolsa Família não é uma continuidade de nada, é uma política nova. Fica parecendo que somos todos iguais, mas não somos. Temos visões de mundo muito diferentes", disse, em referência aos tucanos.

 

A candidata do PT também justificou ser legal guardar em casa dinheiro em espécie. A petista se referia à declaração de bens entregue ontem ao TSE em que revelou ter a quantia de R$ 113 mil em espécie. "É uma decisão minha, não há nada de ilegal nisso", defendeu-se. "Neste ano, ele (o dinheiro) vai tomar outro rumo. Cada um, de acordo com as suas posses - e as minhas não são muitas -, faz a sua programação do dinheiro", afirmou.

 

Cuba. A presidenciável disse também que recebeu com alegria informação divulgada pela Igreja Católica de Cuba de que o governo daquele país libertará 52 presos políticos. Dilma disse ser contra qualquer prisão política. "A única coisa que posso falar é que eu, em princípio, sou contra prisão por crime político. Então, acho muito bom que o governo libere os presos políticos", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.