Dilma arma equipe mais política do que técnica

Petistas predominam entre os nomes já confirmados; nenhum empresário foi chamado

João Domingos, de O Estado de S.Paulo,

10 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - Embora esteja montando um ministério muito parecido com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente eleita, Dilma Rousseff, deu preferência a nomes mais políticos do que técnicos, com ampla predominância do PT entre os já confirmados. Ela também abriu mão do convite a empresários ou representantes deles, um hábito que Lula se impôs desde o primeiro governo (2003/2006).

 

Com Dilma, pela primeira vez em oito anos, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) será tocado por um político, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), amigo da presidente eleita desde os tempos da luta armada contra a ditadura.

 

Ao compor seu ministério em 2002, Lula chamou para o cargo o empresário Luiz Fernando Furlan. E completou a cota do setor com o professor Roberto Rodrigues, a quem entregou o Ministério da Agricultura. As duas pastas conseguiram sair ilesas do escândalo do mensalão, surgido em junho de 2005.

 

No segundo governo, Lula levou para o MDIC o jornalista Miguel Jorge, que havia anos trabalhava no meio empresarial. A Agricultura foi entregue a Reinhold Stephanes, do PMDB, partido que se juntou ao governo Lula ainda em 2004 e que no governo Dilma continuará dono da pasta, com a recondução do ex-deputado Wagner Rossi.

 

Afora a falta de empresários no governo, o ministério de Dilma Rousseff mantém grande semelhança com o de Lula. O PMDB tem o mesmo espaço - seis ministérios - embora menos verbas para investimentos. Com Dilma, no entanto, a oligarquia do presidente do Senado, José Sarney (AP), ficou mais forte. Além do senador Edison Lobão no Ministério de Minas e Energia, o clã conseguiu pôr também o deputado Pedro Novais (MA) no Ministério do Turismo.

 

O vice eleito de Dilma, Michel Temer (SP), assegurou outras duas vagas para o PMDB: Wagner Rossi e o ex-governador Moreira Franco (RJ), ao qual foi destinada a Secretaria de Assuntos Estratégicos, antes entregue ao PRB do vice José Alencar - primeiro o filósofo Mangabeira Unger (hoje no PMDB); depois, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. O senador Garibaldi Alves (RN), que vai para o Ministério da Previdência, foi bancado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), do qual é primo.

 

Da equipe de Lula, a presidente eleita herdou Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento), Paulo Bernardo (Comunicações), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Alfredo Nascimento (Transportes), além de Edison Lobão, Nelson Jobim, e Wagner Rossi.

 

Semelhanças

 

Nem no aproveitamento de candidatos derrotados Dilma diferenciou-se muito de Lula. Enquanto o atual presidente nomeou para seu primeiro ministério oito pessoas que haviam disputado e perdido a eleição, Dilma Rousseff aproveitou quatro perdedores: Aloizio Mercadante (para a pasta de Ciência e Tecnologia), Ideli Salvatti (Pesca) e Alfredo Nascimento - que concorreram aos governos de São Paulo, Santa Catarina e Amazonas - e Fernando Pimentel, derrotado na disputa por uma cadeira ao Senado por Minas Gerais.

 

Os outros grandes partidos aliados, como o PSB, PP, PR e PC do B, tinham, à semelhança do governo de Lula, garantido uma vaga na Esplanada dos Ministérios cada um.

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