Dilma aposta em entrevistas e não muda campanha

Petista acumula dezenas de horas falando com rádios e TVs regionais, o que teria impulsionado seu crescimento nos maiores colégios eleitorais do País

João Domingos / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h01

Um nome à sombra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 17 horas de entrevistas para 32 rádios do Brasil inteiro e cinco horas de declarações para TVs do interior e para programa populares.

 

Essa foi a estratégia da candidata petista Dilma Rousseff desde o fim de março, quando deixou o comando da Casa Civil, até esta semana, quando pesquisa da CNI/Ibope deu-lhe a dianteira na preferência de voto dos eleitores.

 

Assim, seguindo o tema preferido do presidente Lula, que é o futebol, o comando da campanha de Dilma decidiu não fazer nenhuma mudança na campanha. Vai é tentar atender o máximo de pedidos de entrevistas até o dia 5, último dia em que elas poderão ser feitas livremente sem que outros candidatos tenham de ser ouvidos.

 

"A Dilma é menos conhecida do que o outro candidato (o presidenciável tucano José Serra). Por isso, adotamos essa linha de conceder as entrevistas", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que também é coordenador da campanha da candidata governista. O importante, de acordo com Dutra, foi que as entrevistas paras as rádios e TVs regionais puderam ser longas, o que não acontece na mídia de alcance nacional.

 

Alcance nacional. Os estrategistas da candidata petista conseguiram adaptar a agenda de entrevistas de forma que todos os 26 Estados e o Distrito Federal foram cobertos pelas declarações de Dilma Rousseff.

 

Além de rádios e TVs das grandes capitais, Dilma também concedeu entrevistas para grandes cidades do interior, como Campinas, Uberlândia e Caxias do Sul, estas três nesta semana.

 

Estados onde havia uma maior tendência pró-tucanos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, foram priorizados nas entrevistas.

 

No princípio, as perguntas eram muito técnicas e versavam principalmente sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e infraestrutura.

 

Mais à frente, avançaram para os temas locais e um que, descobriu-se depois, tem alcance nacional e interessa a toda a comunidade: os perigos que envolvem a vício do crack. Para responder a essas perguntas, Dilma procurou inteirar-se de estudos científicos a respeito da droga e das formas de combatê-la.

 

Passou, assim, a defender a repressão total do Estado ao tráfico do crack, numa união de forças federais, estaduais e municipais (quando houver), abertura de leitos nos hospitais públicos e subsídio do Estado a leitos particulares para a internação dos doentes, e criação de centros de terapias. A tese foi muito bem aceita, de acordo com estrategistas da campanha de Dilma.

 

Novo foco. A partir do próximo dia 6, quando tem início a propaganda eleitoral (ainda sem a parte da TV e do rádio), a intenção da campanha de Dilma é aproveitar ao máximo a viagem dela aos locais onde fará comícios.

 

"Vamos aproveitar para fazer, num só dia, reuniões com entidades empresariais, sindicais e ONGs, de forma a pedir o apoio de todas elas, engajando-as na campanha", informou Dutra.

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