Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Dilma apela a aliado de Renan para conversar com presidente do Senado

Conforme o Estado apurou, presidente falou ao telefone com senador após MP das desonerações ser devolvida ao governo

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2015 | 15h54

 BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff conversou, por telefone, no final da noite desta terça-feira, 3, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A presidente fez duas tentativas antes de conseguir ser atendida pelo peemedebista, logo depois de ele devolver ao governo, sem votar, a MP das desonerações, que faz parte do ajuste fiscal do Planalto. Só teve sucesso depois de telefonar para um líder próximo ao senador que passou o telefone para Calheiros. 

Conforme o Estado apurou, a conversa foi cordial. Renan explicou para a presidente que a decisão do Senado de devolver ao governo a Medida Provisória que reduz benefícios fiscais à empresas teve como propósito fortalecer as instituições. Conforme relatos, Renan justificou à presidente que seria inconstitucional dar urgência a uma medida que trata de alteração de imposto. 


Em crise com o Planalto após não ver interesses atendidos, como a manutenção de um indicado no comando da Transpetro e a falta de apoio financeiro ao governo de Alagoas, governado por seu filho, Renan Filho, o presidente do Senado determinou nesta terça a devolução da MP 669. Encaminhada ao Congresso na sexta-feira, a MP reduz o benefício fiscal de desoneração da folha de pagamentos e integra as medidas tomadas pelo governo na tentativa de equilibrar as contas da União num cenário de declínio na área econômica. Apesar do tom da conversa entre a presidente e Renan ter sido cordial, no Congresso a expectativa é que todos os projetos de interesse do governo sejam derrubados. Renan já teria avisado a interlocutores das centrais sindicais que no caso das medidas provisórias que tratam dos direitos trabalhistas, ele irá criar uma comissão para analisá-la já com ordem para que sejam rejeitadas. 

A retaliação ao governo também ocorre no momento em que Renan foi avisado de que seu nome está entre os futuros investigados da Operação Lava Jato.  As acusações contra o senador teriam partido do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, um dos delatores da operação. Conforme revelou o Estado nesta quarta, o ex-diretor da estatal relatou em sua delação que Renan recebeu propina em contratos da Diretoria de Abastecimento e que, na prática, os pagamentos ao peemedebista “furaram” o teto de 3% estabelecido como limite dos repasses a políticos no esquema de cartel e corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato.

O peemedebista negou nesta quarta-feira que  tenha sido avisado com antecedência da possível inclusão de seu nome na lista do PGR. "Desde já, queria comunicar que não fui avisado de nada (da lista de Janot). Nem pelo Planalto", afirmou Renan ao chegar ao Senado. 

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