Dilma anuncia auditoria e fala em ação da PF sobre vazamento

Ministra disse que há a possibilidade de um computador da Casa Civil ter sido invadido para manipular dados

Da Redação,

04 de abril de 2008 | 17h14

A ministra da Casa Civil,  Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira, 4, que um computador da Casa Civil pode ter sido invadido, o que explicaria o vazamento de dados do suposto dossiê e que haverá uma auditoria do ITI (Instituto de Tecnologia da Informação) em todos os computadores da Presidência da República. Além disso, a ministra disse que a Polícia Federal pode fazer uma investigação sobre como os dados vazaram da Casa Civil, o que, para ela, configura "crime".  "Isso está parecendo história de agente secreto com crachá", disse a ministra, insinuando que se o documento não havia sido adulterado, como ela mesma insinuou no inicio da entrevista, as imagens com os dados sigilosos poderiam ter sido feitas por alguém com acesso ao computador da Casa Civil, mas que teria deixado uma marca desse acesso, como uma assinatura.  Veja Também:Entenda o que é e como funciona o ITITarso admite PF na investigação do vazamento de dados de FHCDilma volta à berlinda no caso dossiê FHC e cancela agenda Para 'Economist', Dilma pode ser 'bode na sala' para 2010Álvaro Dias diz que tudo foi 'armado' Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI? Casa Civil faz 'caça às bruxas' para achar 'espião' do dossiê Oposição vai questionar Dilma sobre dossiê contra FHC em comissão Garibaldi lerá pedido que cria CPI no Senado   A ministra mostrou um fax rasurado para rebater as novas denúncias relacionadas ao suposto dossiê sobre os gastos do ex-presidente e de sua esposa, Ruth Cardoso. Com o documento, ela afirmou estar provando "que qualquer um pode fazer capa falsa". Ela disse ainda que matéria da Folha de S.Paulo "rui por terra a versão que a Casa Civil fez um dossiê para incriminar alguém".  Descartando a existência de dossiê, Dilma explicou que a coluna apresentada no jornal Folha de S.Paulo sequer existe na base de dados da Casa Civil. Além disso, ela destacou que o ordenamento das informações apresentadas nos jornais é diferente do ordenamento que consta no banco de dados da Casa Civil. Dilma disse que todos os dados não sigilosos que constam nesse banco de dados serão enviados à CPI. De acordo com ela, ficarão apenas os sigilosos, os que dizem respeito à Presidência da República, que não serão enviados.  Dilma negou que a Casa Civil esteja mudando de posição ao longo do tempo. "Nossa posição é única e clara: foi feito (um banco de dados) porque é obrigação nossa organizar os dados existentes", disse a ministra, destacando que o melhor meio para dar transparência é utilizar a tecnologia da informação. Dilma afirmou ainda que a Casa Civil fez esse banco de dados das chamadas contas tipo B privilegiando, em primeiro lugar, as das despesas feitas a partir de 2003. Segundo ela, a elaboração desse banco é complexa porque são diversas notas fiscais, diferentes processos e além disso, têm que ser analisadas as prestações de conta.  Depois dos dados de 2003 para frente, a Casa Civil trabalhou, segundo ela, no passivo do período anterior. Ela disse que o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, foi avisado que esse banco de dados estava sendo feito. Segundo ela, foram formatados primeiro os dados dos anos de 1998, 1999 e 2000, e agora estão em elaboração os de 2001 e 2002. "Não é algo que fizemos ontem ou antes de ontem para prejudicar alguém. O interessante é que não apareceu o vazador de forma explícita", disse Dilma, destacando ainda que o banco é enorme e que só os anos de 98 à 2000 geraram 13 mil dados e nos anos seguinte já superam 20 mil.  A ministra questionou também o conjunto de colunas publicadas no jornal nas quais teriam o número do processo e o agente suprimido, que na edição da Folha de S.Paulo, segundo ela, não tem. "Isso mostra que numa planilha de Excel monta-se o que se quer. Assim como o jornal o fez", afirmou, acrescentando ainda que esse fato mostra como a planilha é facilmente modificada. A ministra afirmou que a instituição prejudicada por este processo é o governo e a Casa Civil. "Tem direção certa - a minha pessoa - para atribuir a responsabilidade sobre o suposto dossiê."  Dilma disse ainda ser interessante sinalizar que, com exceção da ex-primeira dama d.Ruth Cardoso, os demais nomes citados no jornal parecem integrar o dossiê. "Por que fazer um dossiê de informações que não são sigilosas? Que por determinação da CPI seremos obrigados a entregar?", questionou. As denúncias Reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta sexta revela que uma cópia de arquivo da Casa Civil complica a versão de que o governo tenha feito um "banco de dados" sobre os gastos de FHC e sua mulher Ruth Cardoso entre 1998 e 2002, e um suposto "infiltrado" tenha subtraído esses documentos e vazado as informações. Na Casa Civil, foi criada uma comissão de sindicância para descobrir o "espião". A reportagem obteve um conjunto de planilhas em Excel, com 27 páginas no total, e afirma que a organização de dados seguiu uma "lógica política". O documento teria sido criado em 11 de fevereiro, antes da criação da CPI dos Cartões, porém no auge das denúncias de irregularidades no uso dos cartões por parte da Presidência e de ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  As planilhas com as despesas também foram divididas também por nomes, como mostra o jornal: Ruth Cardoso; de dois dos ministros à época, Eduardo Jorge (Secretaria Geral da Presidência) e Clóvis Carvalho (Casa Civil e Desenvolvimento); do senador tucano Arthur Virgílio (Secretaria Geral da Presidência); e da chef de cozinha Roberta Sudbrack. Investigações O Estado de S. Paulo revelou, em 19 de fevereiro, que o Planalto preparava um dossiê sobre os gastos da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para distribuir a aliados assim que seja instalada a CPI dos Cartões. Um mês depois, reportagem da revista Veja mostrou detalhes do documento, com gastos pessoais do ex-presidente e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso entre 1998 e 2001. CPI dos Cartões Cansada da blindagem do governo na CPI mista dos Cartões, a oposição agora pressiona para que seja criada uma comissão apenas no Senado, onde os aliados terão mais dificuldade de ser maioria. O presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou na última quinta que fará a leitura do requerimento para criar a comissão: "Doa a quem doer, custe o que custar, vou ler o requerimento na terça".  Também na última quinta, a oposição partiu para cima do governo e obteve uma vitória. Por meio de uma manobra, tentou convocar Dilma para depor sobre o suposto dossiê contra FHC. A convocação para a Comissão de Infra-Estrutura passou, porém Dilma não será obrigada a responder a perguntas que tratem do vazamento, apenas às que tratem do Programa de Aceleração do Crescimento(PAC). No entanto, oposicionistas prometem constranger a ministra, e a sessão deverá ser tumultuada. Dilma tem 30 dias para cumprir a convocação. Texto ampliado às 17h50 para acréscimo de informações.

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