Dilma anuncia acordo com Alemanha para obras da Copa e Olimpíada

Declaração conjunta entre os dois países prevê investimentos em áreas de infraestrutura, portos e aeroportos, além de obras do Programa de Aceleração do Crescimento

Vannildo Mendes, da Agência Estado

05 de maio de 2011 | 16h06

BRASÍLIA -  A presidente Dilma Roussef anunciou nesta quinta-feira, 5, em declaração à imprensa, um acordo com o governo alemão para investimentos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como portos e aeroportos, bem como em áreas de infraestrutura voltadas para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. O anúncio foi durante declaração conjunta após reunião de mais de uma hora com o presidente da Alemanha, Cristian Wulff e a comitiva de empresários e autoridades daquele país, no final desta manhã.

 

Esse foi o primeiro compromisso público da presidente desde que ela teve diagnóstico de pneumonia, há uma semana. Visivelmente abatida, mais magra, com dificuldade respiratória e rouca, Dilma conseguiu ler a declaração até o fim. Depois, disse aos jornalistas que só voltará a falar com a imprensa quando estiver totalmente recuperada, na próxima semana. "Apresentei ao presidente Wulff as novas oportunidades de investimento", disse Dilma. "Há expectativa de participação, dos investidores e da tecnologia alemã também na construção de alta velocidade entre Rio e São Paulo", enfatizou ela, referindo-se ao trem-bala.

 

A presidente destacou que o encontro serviu para reforçar a parceria estratégica firmada há uma década com a Alemanha na área de comércio e investimento. No ano passado, as relações comerciais entre os dois países somaram mais de US$ 20 bilhões. "A Alemanha continua sendo nosso maior parceiro comercial na Europa e o Brasil, o maior mercado para as exportações alemãs na America latina", informou. "Há esforços para intensificar a diversificação do comércio bilateral, com agregação de valor às exportações brasileiras e com a incorporação de novos itens à balança comercial".

 

Segundo a presidente, o encontro entre os dois chefes de estado serviu também para ampliar a cooperação no setor energético, "em especial para assegurar a ampliação do uso de energias renováveis de parte a parte". Ela lembrou que o Brasil promove o uso de etanol há mais de 30 anos, sem que isso tivesse efeito negativo sobre a produção de alimentos. "Ao contrário, gerou milhares de empregos e permitiu que nós reduzíssemos a emissão de gases do efeito estufa numa área extremamente complexa como é o caso da área de combustíveis e de transportes de massa", enfatizou.

 

O maior consumo de biocombustíveis, destacou Dilma, dará maior segurança em relação à crise energética do Brasil e estimulará a introdução dos biocombustíveis no plano internacional, em especial na Europa e na América do Norte. "Ao mesmo tempo suportará o nosso compromisso (do Brasil e Alemanha) com o cumprimento de nossas metas de redução de gases do efeito estufa", acrescentou. "Esse será um novo capítulo de um empreendimento conjunto já existente iniciado quando engenheiros teutobrasileiros desenvolveram a tecnologia do motor flex, que integra hoje mais de 90% dos automóveis brasileiros", explicou.

 

Dilma lembrou também que Brasil e Alemanha são parceiros "na defesa de uma ordem mundial mais justa, democrática e que respeita os direitos humanos". Em relação ao G-20, ela disse que, embora o pior momento da crise tenha passado, "todos nós concordamos da necessidade de aprimoramento das governanças financeiras internacionais". Ela aproveitou o discurso para alfinetar a política econômica protecionista dos Estados Unidos. "Percebemos que países desenvolvidos, mas com crescimento fraco, têm adotado políticas monetárias (EUA) extremamente expansionistas, com evidentes efeitos negativos sobre a inflação mundial".

 

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