Dilma afirma que vai injetar R$ 2 bilhões no Rio Grande do Norte

Anúncio foi feito antes do encontro da presidente em que tentaria se 'reconciliar' com o PMDB

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2013 | 18h25

NATAL - Horas antes do encontro dos líderes do PMDB para tratar das dificuldades de relacionamento com o governo, a presidente Dilma Rousseff foi recepcionada no Rio Grande do Norte com elogios e agradecimentos de políticos governistas e opositores nesta segunda-feira, 3. Como retribuição, ela anunciou um pacote de bondades que somará ao Estado investimentos de cerca de R$ 2 bilhões. O discurso mais entusiasmado foi justamente do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que pediu à plateia - e foi atendido - um minuto de aplausos de pé para a presidente. Henrique agradeceu "o apoio, a correção e a lealdade" de Dilma durante a campanha pela presidência da Câmara.

"A senhora foi muito correta comigo e com o PMDB. Não podemos esquecer disso nos momentos de embate, em nenhum momento", discursou Henrique Alves. "Se depender do Rio Grande do Norte, a senhora aqui vai ter sempre nosso respeito, nosso apoio, nossa solidariedade, hoje e no futuro. A senhora governa o Brasil como deve ser governado", elogiou o presidente da Câmara, em momento de trégua de todos os problemas do PMDB e do Legislativo com o governo.

Também a governadora Rosalba Ciarlini, do oposicionista DEM, elogiou "a lição de democracia" e agradeceu a Dilma "por ser esta presidenta sensível, dedicada, de todos os brasileiros". Henrique Alves e Rosalba intercalaram os elogios com uma longa lista de pedidos para o Rio Grade do Norte, mas a grande maioria já estava contemplada nas iniciativas e obras que seriam anunciadas por Dilma em seguida.

A solenidade de entrega de 171 retroescavadeiras e motoniveladoras para municípios que estão em estado de emergência por causa da seca, que aconteceu no Centro Administrativo do Estado, reuniu os 149 prefeitos e vice-prefeitos das cidades contempladas, representantes de movimentos sociais e autoridades do Judiciário e do Legislativo locais. Além da entrega das máquinas, a presidenta e seis ministros presentes lançaram edital de licitação para obras complementares da BR-101, cooperação na área de segurança pública, liberação de R$ 30 milhões para construção de um museu e um memorial da aviação e a ordem de serviço para construção da barragem de Oiticica, na região do Seridó, uma obra que, segundo Henrique Alves, "do Rio Grande do Norte espera há mais de 50 anos".

Em seu discurso, a presidente anunciou investimentos em outras obras, que tinham sido pedidas com insistência pelos políticos que discursaram antes dela: a duplicação do primeiro trecho da BR-304, entre Natal e a divisa com o Ceará, a chamara Reta Tabajara, no município de Macaíba, e um trecho de estrada entre a BR-101 e o aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante, que está em construção e cujas obras foram asseguradas pela presidente.

"Estamos acelerando o processo para tornar o Rio Grande do Norte mais competitivo. Isso não é uma ação contra os outros Estados, mas a favor do Rio Grande do Norte. Temos grandes investimentos em Pernambuco, no Ceará, na Bahia, mas temos também no Rio Grande do Norte", discursou a presidente, que, em determinado momento, chamou o Estado de Rio Grande do Sul, mas logo se desculpou: "É que eu fui batizada potiguar há pouco tempo". Pouco antes, Henrique Eduardo Alves, havia dito que "a Bahia nem parece mais Nordeste" e citado investimentos da União em outros Estados nordestinos.

Os longos discursos elogiosos à presidente acabaram atrasando em mais de uma hora a viagem de Dilma de volta a Brasília.

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