Dilma afirma que não barrará manifestações no País

'Não tentem que eu vá desautorizar qualquer manifestação, que eu não vou desautorizar nem as perguntas da imprensa nem qualquer ato', disse

Ana Paula Scinocca, da Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 19h50

BRASÍLIA - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira, 23, não estar disposta a desautorizar qualquer manifestação no País. Ao ser questionada se apoiava o "Ato Contra o Golpismo da Mídia", a petista respondeu: "Eu não sou contra ato nenhum. Acho que os atos a gente tem que conviver com eles. Não tentem que eu vá desautorizar qualquer manifestação, que eu não vou desautorizar nem as perguntas da imprensa nem qualquer ato." Para Dilma, "ninguém pode ser demonizado" no País.

 

Ela disse não ver nenhuma ameaça à democracia no Brasil. "Não vejo nenhuma ameaça à democracia do Brasil. Acho que o Brasil vive um momento democrático e que não podemos fazer política com ódio, acho que não pode fazer isso porque ódio é que nem droga: você vicia. É fácil entrar e difícil sair. Não é possível a gente julgar que o Brasil tenha qualquer problema na área democrática." Em rápida entrevista coletiva, em Brasília, a candidata governista lembrou que enfrentou o regime militar e afirmou que jamais poderia ser contra liberdade de expressão. "Tolerância é a melhor palavra para relação democrática. As pessoas têm absoluta direito de falarem o que querem. Você tem o absoluto direito de aceitar ou não. Agora, não dá para demonizar ninguém nesse País. Isso não é clima adequado para um País que saiu há mais de 20 anos da ditadura."

 

Ao lado do presidente do PT, José Eduardo Dutra, e de Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha, Dilma também falou sobre a última pesquisa Datafolha, na qual foi registrada uma queda de cinco pontos porcentuais (de 12 para 7 pontos) para os demais adversários somados em relação ao levantamento anterior (dos dias 13, 14 e 15). "Essa semana vai ser uma semana cheia de pesquisas, idas e vindas, vamos aguardar. Está perto, mas a gente não tem que se inquietar daqui pra frente e continuar trabalhando sabendo que o nosso país mudou e eu represento essa mudança. Eu tenho certeza que isso vai ser reconhecido no dia 3 de outubro", afirmou.

 

Questionada se as revelações de tráfico de influência e a consequente crise que culminou com a demissão de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, poderiam ter impactado o levantamento, Dilma disse apenas que a queda "é uma coisa dentro da margem de erro. Pesquisa tem dois para mais ou para menos". De acordo com o Datafolha, a petista agora aparece com 49% (tinha 51% há uma semana), contra 42% de todos os outros postulantes (que apareciam com 39%). José Serra (PSDB) está em segundo, com 28% (tinha 27% na semana passada), enquanto Marina Silva (PV) oscilou positivamente dois pontos porcentuais e passou de 11% para 13%. VÍDEOS - Dilma ainda comentou os vídeos que teriam sido divulgados pelo PSDB com ataques diretos a ela e também aos chamados radicais do PT. Dilma disse que não vai baixar o nível de sua campanha.

 

Os advogados do partido estudam entrar na Justiça para impedir a exibição das peças. Em uma delas, petistas são comparados a cachorros. "Vamos continuar mantendo o alto nível da nossa campanha. Entrar com qualquer medida judicial não significa baixar o nível, mas se defender. Não iremos, em nenhuma circunstância, baixar o nível nessa campanha. Eu falo isso com absoluta convicção de que quem baixa o nível, quem utiliza de expedientes nem o Brasil nem a história perdoa."

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