Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Dilma afirma em nota que 'vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais' devem ser repudiados

Presidente não cita nome de Delcídio em texto, mas afirma que divulgação de informações tem fins políticos

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2016 | 18h43

BRASÍLIA - Sem citar o nome do ex-líder do governo e senador Delcídio Amaral, a presidente Dilma Rousseff divulgou nesta quinta-feira, 3, nota criticando o vazamento de suposta delação premiada do petista e disse que “esses expedientes não contribuem para a estabilidade do País”. “Se há delação premiada homologada e devidamente autorizada, é justo e legítimo que seu teor seja do conhecimento da  sociedade”, afirmou no texto, ressaltando que para isso é necessária a autorização do Poder Judiciário.

 A presidente disse ainda que os vazamentos seletivos de delações estão sendo utilizados para fins políticos. “Repudiamos, em nome do Estado Democrático de Direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política”, escreveu.

A presidente destacou que todas as ações do seu governo “têm se pautado pelo compromisso com o fortalecimento das instituições de Estado”, reforçou os trabalhos de combate à corrupção e disse que “os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade”.

“Em meu governo, a lei é o instrumento, o respeito ao cidadão é a norma e a Constituição é, pois, o guia fundamental de nossa atuação. Por isso, à luz de nossa lei maior defendemos o cumprimento estrito do devido processo legal”, escreveu Dilma.

De acordo com a revista IstoÉ, Delcídio teria dito em delação premiada que a presidente Dilma tentou atuar ao menos três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", afirmou Delcídio na delação, segundo a revista. Cardozo deixou esta semana o ministério alegando sofrer pressões do PT.

Na delação, Delcídio teria citado também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e detalhado os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.

O senador e seu advogado também publicaram nota contestando a reportagem. "Nem o senador Delcídio, nem a sua defesa confirmam o conteúdo da matéria", afirma o texto, que é assinado também pelo advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto. "Não conhecemos a origem, tão pouco (sic) reconhecemos a autenticidades dos documentos que vão acostados no texto."

A nota diz ainda que o esclarecimento se faz necessário "em respeito ao povo brasileiro e ao interesse público". O texto diz ainda que o senador e a defesa não foram procurados para se manifestar “sobre a fidedignidade dos fatos relatados”. 

Confira a íntegra na nota divulgada pela presidente:

Todas as ações de meu governo têm se pautado pelo compromisso com o fortalecimento das instituições de Estado, pelo respeito aos direitos individuais, o combate à corrupção e a defesa dos princípios que regem o Estado Democrático de Direito. Nós cumprimos rigorosamente o que estipula a nossa Constituição.

Em meu governo, a lei é o instrumento, o respeito ao cidadão é a norma e a Constituição é, pois, o guia fundamental de nossa atuação.

Por isso, à luz de nossa lei maior defendemos o cumprimento estrito do devido processo legal. Os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade.

Se há delação premiada homologada e devidamente autorizada, é justo e legítimo que seu teor seja do conhecimento da  sociedade. No entanto, repito, é necessária a autorização do Poder Judiciário.

Repudiamos, em nome do Estado Democrático de Direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política. Esses  expedientes não contribuem para a estabilidade do País. 

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