Dilma admite que não é 'política tradicional', mas destaca experiência

Pré-candidata do PT ressaltou sua participação na 'coordenação de todos os programas'

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 13h30

CURITIBA - A ex-ministra e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira, 26, em entrevista à Rádio Brasil Sul, de Londrina, no norte do Paraná, que não é uma "política tradicional", mas voltou a garantir que tem experiência administrativa suficiente para credenciá-la a disputar o cargo.

 

"O fato de ter participado nos últimos cinco anos e meio da coordenação de todos os programas do governo e ter ajudado o presidente na coordenação dos ministros acho que me credencia", afirmou. Ela também acentuou ter iniciado a carreira como secretária municipal e, depois, ter ocupado cargo semelhante no governo estadual do Rio Grande do Sul.

 

Questionada sobre as pesquisas pré-eleitorais, adotou o mesmo discurso de seu principal oponente, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB). "Tem que levar as pesquisas como sendo referência, um retrato do momento", disse. "Elas mudam como mudam os ventos, diariamente há flutuações."

 

Dilma afirmou considerar mais relevante o fato de ter saído de uma "posição bem modesta" e chegar aos índices de cerca de 30% de agora. "Considero que nós vamos apresentar um projeto, que é o projeto do governo do presidente Lula, com avanços", ressaltou. "Significa uma prioridade forte à educação, à segurança e à saúde."

 

Ela também se referiu à reportagem do Estado desta segunda-feira, 26, sobre pesquisa do IBGE mostrando que 50% dos moradores em metrópoles têm carteira assinada. "É o que empolga a gente, tenho certeza de que vamos continuar gerando emprego", acentuou. "Nós somos o governo do emprego e seremos a proposta do emprego com desenvolvimento e distribuição de renda."

 

Alianças

 

A pré-candidata respondeu perguntas sobre o que foi feito no atual governo e o que pretende nas áreas de saúde e educação, destacando a sincronia entre unidades básicas de saúde, unidades de pronto-atendimento, policlínicas e hospitais, além de um reforço na educação em tempo integral, com investimentos pesados na formação dos professores e acesso à banda larga. Mas não foi questionada sobre as dificuldades de montar um palanque mais forte no Paraná.

 

A primeira alternativa para o PT é uma aliança com o PDT, que tem o senador Osmar Dias como candidato ao governo. O PDT, que nacionalmente está aliado ao PT, pretende que Gleisi Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, componha a chapa como candidata a vice, alegando que isso somaria mais força tanto para a eleição estadual quanto no apoio a Dilma. No entanto, o PT insiste em tê-la como candidata ao Senado.

 

"Nós temos que eleger bons senadores também", argumentou o secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal paranaense André Vargas. Para ele, a indicação de Gleisi como candidata a vice somente poderá ser repensada se o PDT conseguir atrair o PMDB estadual para a aliança, indicando o ex-governador Roberto Requião para o Senado. Mas, por enquanto, o PMDB tem candidato ao governo do Estado, o atual governador Orlando Pessuti.

 

Vargas disse que uma reunião entre os presidentes nacionais do PT, José Eduardo Dutra, e do PDT, Carlos Luppi, deve acontecer esta semana em Brasília para encaminhar uma solução. "Sem o PT, acho que o Osmar não será candidato ao governo", disse o deputado. Ao PT restaria, então, o lançamento de candidatura própria ou o apoio a Pessuti. No outro lado, o PSDB está percorrendo o Estado com o pré-candidato Beto Richa, ex-prefeito de Curitiba.

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