Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma admite que 2016 não será um ano maravilhoso para o Brasil

Segundo a presidente, economia brasileira é forte, mas não há como prever quais serão os reflexos para o País da crise nos mercados internacionais

Ricardo Galhardo, Gustavo Porto e ELIZABETH LOPES, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 09h33

Atualizado às 22h44

SÃO PAULO - Após reconhecer que o governo demorou a perceber a dimensão da crise econômica, a presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 25, que não pode garantir que 2016 será um ano “maravilhoso” para o Brasil. Em visita a Catanduva, no interior de São Paulo, a presidente citou a turbulência no mercado chinês, que derrubou as principais Bolsas de Valores no mundo, para pedir unidade dos governantes para superar a crise.

“Espero que a situação melhore no futuro, mas não tem como garantir que 2016 será maravilhoso. Não teremos uma situação maravilhosa em 2016 (no País), mas também não será aquela dificuldade imensa que muitos pintam”, declarou a presidente em entrevista às rádios Morada do Sol de Araraquara (SP) e Difusora de Catanduva (SP), onde cumpriu agenda de entrega de 1.237 unidades do Minha Casa Minha Vida.

Dilma usou a expressão “segunda-feira negra” para se referir à queda de 8,46% da Bolsa de Xangai e fez um apelo para que “a preocupação não se transforme em pessimismo”. A presidente aproveitou para dividir a responsabilidade com a oposição ao cobrar união para enfrentar o cenário negativo e criticar os adversários que apostam no “quanto pior, melhor”. “As pessoas querem resolver tudo rapidamente, nossa ideia é que as dificuldades sejam superadas o mais rapidamente possível. Mas com gente torcendo pelo ‘quanto pior, melhor’ vai ser mais lento sair da crise.”

Pouco depois, na cerimônia de entrega das casas em Catanduva, a presidente tornou a citar as dificuldades da China para traçar um cenário de incertezas e cobrar a oposição. 

Corpo a corpo. Além das 1.237 unidades de Catanduva, Dilma escalou os ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Gilberto Kassab (Cidades) e a presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, para entregar casas em Araraquara, Araras e Mauá do Minha Casa Minha Vida e amplificar o impacto político da iniciativa. As cerimônias foram transmitidas simultaneamente em telões instalados nas cidades.

Diante do agravamento da crise em seu quinto ano de governo e sob ameaça de abreviação de seu mandato, Dilma se mostrou mais disposta a cumprir os rituais da política. Ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), a quem elogiou pela disposição em celebrar parcerias com o governo federal, ela citou nominalmente todos os parlamentares e prefeitos que participaram do evento, cumprimentou e abraçou presentes e enalteceu sua administração. Prometeu ainda ajuda para solucionar a crise hídrica do Estado.

“Se forem necessárias mais obras para viabilizar a oferta de água aqui em São Paulo, mais obras faremos em parceria com o governador. Tenho certeza que essa parceria vai continuar e ela está baseada em uma visão democrática e republicana”, disse. “Podemos divergir, mas temos que agir juntos no que se refere à administração para proteger os interesses da população.”

Embora se trate de um conjunto modelo, o primeiro a ser inaugurado com total infraestrutura (escola, creche, praças, quadras esportivas, posto de saúde e de polícia), as casas que foram visitadas por Dilma passaram por uma maquiagem nos últimos dois dias – ganharam jardins com flores e arbustos plantados na última hora por uma floricultura e pintura nova na área interna. A imprensa pode filmar e fotografar Dilma apenas nos quatro imóveis que receberam a maquiagem. O conjunto custou R$ 108 milhões sendo que R$ 17 milhões são do governo de São Paulo e o restante verbas da União.

Protesto. Nos dias que antecederam a visita a Catanduva, moradores convocaram, via redes sociais, um protesto na região central da cidade, distante cerca de 7 quilômetros do evento.

Líderes petistas procuraram participantes do ato e pediram que eles não hostilizassem a presidente. Dois dias antes Dilma foi xingada por milhares de pessoas na Festa do Peão de Barretos mesmo não tendo comparecido ao local. Na mensagem de convocação para o protesto, os organizadores alegaram o suposto domínio de traficantes na região do novo bairro para não se deslocarem do centro até a periferia de Catanduva. O protesto c no centro reuniu cerca de 100 pessoas. 

Aproximadamente de 4 mil pessoas que participaram da cerimônia de entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida. Moradores negaram que a região seja ponto de tráfico de drogas. Dilma foi ovacionada.


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