Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Dilma admite 'consulta popular' se reassumir a presidência da República

Em entrevista à TV Brasil, presidente afastada deu a entender que poderia fazer um 'plebiscito' se o Senado não aprovar impeachment

O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2016 | 00h51

Em entrevista veiculada na noite desta quinta-feira pela TV Brasil, a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) admitiu uma “consulta popular” caso o Senado não aprove o impeachment e ela reassuma a presidência da República. “Que se recorra à população para ela dizer... pode ser um plebiscito, eu não vou dar o menu total, mas essa é uma coisa que está sendo muito discutida”, afirmou Dilma, sem explicar a que se referia. Muitos políticos, inclusive da base de apoio da petista, defendem que, caso ela volte ao cargo, convoque novas eleições para presidente. Dilma nunca havia se manifestado sobre essa hipótese.

A entrevista, gravada, durou uma hora e foi feita pelo jornalista Luis Nassif. Quando ele perguntou como Dilma imagina o dia seguinte, caso o Senado não aprove o impeachment, ela afirmou: “Rompeu-se um pacto, que vinha desde a Constituição de 1988, e tem que remontar esse pacto. Eu não acredito que se remontará esse pacto dentro de gabinete. A população terá que ser consultada”, afirmou.

Ao criticar o governo do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), Dilma também se referiu a uma consulta ao povo. “A consulta popular é o único meio de lavar e enxaguar essa lambança que está sendo o governo Temer”, afirmou. 

Dilma afirmou que Temer é manipulado pelo presidente afastado da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ): “O governo Temer é a síntese do que pensa Eduardo Cunha, o governo Temer expressa claramente a pauta do Eduardo Cunha”. “Não tem negociação possível com certo tipo de prática. Quando começa a investigação da Procuradoria Geral da República, qual foi a reação dele (Eduardo Cunha)? ‘Ou vocês me dão três votos ou eu aceito’ a questão do Miguel Reale”, afirmou, sobre a postura de Cunha em relação ao pedido de impeachment cujo advogado foi um dos signatários.

A petista mais uma vez negou ter cometido crime de responsabilidade: “Não tem base jurídica. No Plano Safra, eu não assinei uma vírgula, e um dos executores é hoje ministro do Planejamento”, afirmou, referindo- se a Dyogo Henrique Oliveira, que substituiu Romero Jucá.

Dilma repetiu críticas ao senador Aécio Neves, derrotado por ela na eleição presidencial de 2014, e ao PSDB de forma genérica. “A política do ‘quanto pior, melhor’ foi muito forte, foi de uma irresponsabilidade absoluta do PSDB. Aí não é só o PMDB, é irresponsabilidade do PSDB, que achava que, se inviabilizasse meu governo do ponto de vista econômico, criaria ambiente para o impeachment. Criaram, só que o impeachment caiu no colo do PMDB”, afirmou Dilma.

Referindo-se a Aécio, a petista afirmou que “a reação do meu adversário, que foi derrotado, foi bastante atípica em relação que ocorria no Brasil. Ninguém nunca pediu recontagem de voto, ele pediu. Ninguém pediu para fazer auditoria nas urnas eletrônicas. Depois, eu tinha de ser diplomada no início de dezembro. Nessa época eles entram no TSE alegando que minha campanha tinha problemas e que eu não podia ser diplomada”.

Ao anunciar a entrevista com Dilma, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que pertence ao governo federal e controla a TV Brasil, destacou que também pediu entrevistas, no mesmo formato, ao presidente em exercício, Michel Temer, ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski.

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