Dilma acusa Serra de ter ‘visão elitista’ do povo

Petista diz ainda que candidato do PSDB à Presidência usa de oportunismo eleitoral ao tentar grudar sua imagem à de Lula

Vera Rosa / BRASÍLIA

23 de agosto de 2010 | 03h06

Depois de ser definida pelo programa de TV do PSDB como candidata sem experiência e que só “enrola”, Dilma Rousseff (PT) elevou ontem o tom contra o adversário José Serra. Dilma acusou o tucano de ter “visão elitista” do povo e de adotar o oportunismo eleitoral ao tentar grudar sua imagem à do presidente Lula após fazer oposição em dois mandatos.

Na esteira da nova onda de violência registrada sábado no Rio de Janeiro, quando bandidos invadiram um hotel de luxo em São Conrado, a petista também fustigou a proposta de Serra de criar o Ministério da Segurança.

Dilma disse que a polícia do século 21 tem de ser “mais eficiente e menos corrupta”, criticou a divisão de secretarias que tratam do assunto em São Paulo e duvidou da eficácia de mais um ministério, com outra estocada em Serra. Para ela, o tucano não conseguiu combater o crime organizado quando era governador e pode até estar “copiando” suas propostas.

“Quem usa a imagem do presidente Lula, porque ele está com a popularidade alta, tem uma visão elitista do povo. Uma visão que acha que o povo acredita em quem foi contra Lula durante oito anos de mandato e em quem, na campanha de 2002, incentivou a teoria do medo”, afirmou a petista.

Propaganda. Sem esconder a contrariedade, Dilma chegou a soltar um “pelo amor de Deus!” ao observar que Serra alfineta Lula de manhã e à tarde, “discorda de tudo” e, à noite, aparece ao lado dele. Era uma referência à polêmica propaganda do horário eleitoral gratuito do tucano, na qual o ex-governador e o presidente são apresentados como “dois homens que têm história, dois líderes experientes”.

“Não acredito que o nosso povo seja ingênuo, incapaz de ter uma visão crítica”, comentou Dilma. “Acho que o povo entende direitinho o que acontece.” Mesmo sem citar o nome de Serra e o escândalo do mensalão, que atingiu o PT em 2005, a candidata não deixou dúvidas sobre o que falava.

“Se o povo não entendesse direitinho o que acontece, nós não teríamos conseguido fazer o governo que fizemos. Enquanto a oposição queria nos derrubar, quem nos sustentou foi o povo brasileiro”, insistiu a candidata petista.

Promessas. Pouco antes de se reunir com sua equipe para tratar do tema “segurança” no programa de governo, Dilma prometeu que, se eleita, combinará maior policiamento nas fronteiras com ações de inteligência para enfrentar a violência, o crime organizado e o narcotráfico.

“Minha proposta se baseia na experiência realizada no governo do presidente Lula”, afirmou, ao garantir que nunca essas ideias foram apresentadas antes da campanha nem por Serra nem por Marina Silva (PV).

A meta da petista é importar mais dez Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vant), dotados de câmeras para a vigilância das fronteiras. Atualmente, a Polícia Federal utiliza dois desses equipamentos, de fabricação israelense.

Em nova farpa na direção de Serra, Dilma pediu aos jornalistas que investigassem se a experiência paulista de dividir o combate ao crime em três secretarias - de Segurança Pública, de Assuntos Penitenciários e da Justiça - funcionou. Logo depois, ela mesma deu seu veredicto. “Isso não levou à derrota do crime. Uma secretaria não conversava com a outra”, disse Dilma. “Não é o fato de criar um Ministério da Segurança que vai resolver. Se fosse assim, no Estado de São Paulo o crime estaria erradicado.”

Apesar dos episódios de violência no Rio, a candidata do PT elogiou o governador Sérgio Cabral, do aliado PMDB, por fazer parcerias com o Palácio do Planalto e, mais uma vez, prometeu ampliar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Disse, ainda, que pretende investir 87% dos recursos do Ministério da Justiça em segurança pública, se chegar à Presidência.

 

Tiroteio

DILMA ROUSSEFF

CANDIDATA DO PT À PRESIDÊNCIA

“Quem usa a imagem do presidente Lula, porque ele está com a popularidade alta, tem uma visão elitista do povo. Uma visão que acha que o povo acredita em quem foi contra Lula durante oito anos de mandato e em quem, na campanha de 2002, incentivou a teoria do medo”

“Se o povo não entendesse direitinho o que acontece, nós não teríamos conseguido fazer o governo que fizemos. Enquanto a oposição queria nos derrubar, quem nos sustentou foi o povo brasileiro”

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