Dilma acerta trégua com a base e pede que adiem Orçamento Impositivo

Presidente se reúne com aliados no Congresso para melhorar diálogo e evitar derrota em votações

Tânia Monteiro, Rafael Moraes Moura e Eduardo Bresciani, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2013 | 23h13

BRASÍLIA - Com a popularidade desgastada e sob ameaças de insubordinação de partidos da base, a presidente Dilma Rousseff negociou, nesta segunda-feira, 5, com 10 líderes de partidos de sua coalizão uma "trégua" com o Congresso para tentar congelar a agenda de confrontos entre o Planalto e o Legislativo.

A presidente quer que seja retirado da pauta de votação da Câmara, nesta terça-feira, 6, o projeto do Orçamento Impositivo, que obriga o Planalto a pagar automaticamente as emendas parlamentares. O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), confirmou que o projeto será colocado em votação.

Na semana passada, Dilma decidiu liberar R$ 6 bilhões em emendas até o fim do ano, em uma outra iniciativa para acalmar a base aliada.

Os parlamentares ficaram bem impressionados com a reunião. Acreditam que o esforço da presidente para a retomada do diálogo contribui para melhorar o clima político.

Dilma se comprometeu a discutir com a base temas polêmicos antes do envio das propostas ao Congresso e abriu espaço para que reuniões frequentes. Na mesma linha, Dilma receberá líderes do Senado nesta terça.

Um dos principais críticos da articulação política do governo, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), saiu da reunião otimista. "Sinaliza a inauguração de uma nova metodologia."

O líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), acredita em um convívio "menos tenso" nos próximos dias. "Faz tempo que reclamávamos do diálogo e acho que o governo finalmente dá um sinal concreto que topou dialogar e nos deixa com boa impressão. Estávamos numa luta do cabo de guerra, com o governo pra lá e o Congresso pra cá. Isso agora vai distensionar e significa que não precisaremos mais ficar colocando o governo contra a parede e nem eles nos atropelar", resumiu.

Albuquerque ressaltou que o PSB mantém o projeto de candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência, mas ressaltou que o partido está disposto a "ajudar o governo nas coisas boas".

Segundo o relato de parlamentares, a presidente se mostrou disposta a discutir temas complexos, como o financiamento da saúde, a destinação dos royalties do petróleo e a transferência de licenças de táxi por herança.

"Engatamos uma primeira marcha hoje e a partir daí, engataremos todas as marchas necessárias para o trem adquirir alta velocidade no aperfeiçoamento do governo com o Congresso", declarou o líder do PT, José Guimarães (CE).

Antes de se reunir com os aliados, Dilma minimizou os problemas. "Comigo a base não é brava", afirmou, ao ser questionada pelo Estado sobre os problemas de convivência. Questionada sobre as ameaças de derrubada de vetos presidenciais, ponderou: "Isso é democrático. Vamos ser democráticos. A diferença de opiniões é possível e acredito que nós vamos construir um caminho muito seguro para o Brasil".

Corrupção. Em outra frente de ação destinada a estancar a perda de popularidade, Dilma sancionou o Estatuto de Juventude e assegurou que vai ficar "cada vez mais conectada não só com a voz das ruas" e das redes sociais. Disse que seu governo é capaz de coibir malversação de recursos públicos e que o combate à corrupção deve ser sistemático.

Em discurso emocionado, lembrou sua luta contra a ditadura: "Também estive nas ruas lutando por mais democracia e mais direito. Naquela época, você ia uma vez ou duas ou três vezes para a rua, mas depois você acabava na cadeia".

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