Dilma abre reunião pedindo avaliação sobre Marina

A presidente Dilma Rousseff abriu a reunião com os líderes dos partidos da base aliada pedindo que eles avaliassem a surpreendente movimentação de Marina Silva. No último fim de semana, a ex-senadora desistiu que lançar candidatura própria ao Planalto e se filiou ao PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que saiu da aliança governista para abrir seu caminho para a Presidência em 2014.

TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

07 de outubro de 2013 | 21h33

De acordo com relato de um dos presentes, após ouvir a avaliação da maioria dos líderes de que a ida de Marina para o PSB enfraquecia o peso eleitoral da ex-ministra em relação aos 20 milhões de votos obtidos na eleição passada, Dilma fez questão de ressalvar que "não se pode desconsiderar a importância de Marina" neste jogo eleitoral porque "ela não é qualquer pessoa". Ainda segundo este parlamentar, o tema Marina teria sido tratado na reunião informalmente e apenas no início da reunião.

Na conversa com os líderes governistas, a presidente foi muito cuidadosa ao tratar do tema Marina Silva e teria preferido aproveitar o assunto para questionar a forma como ocorrem hoje a criação dos partidos políticos, querendo informações de como são feitas as certificações e a aferição de assinaturas. O deputado Jovair Arantes (PTB-GO) lembrou que dois partidos foram criados agora e que há outros 25 na fila esperando sua vez. O líder pedetista Marcos Rogério criticou o que chamou de "precariedade do processo de certificação dos partidos". Segundo Marcos Rogério, a presidente Dilma, após ouvir as ponderações, demonstrou preocupação com o tema e defendeu que "este assunto tem de ser discutido pelo Congresso".

Apesar de os líderes aliados terem feito avaliação de que Marina perdeu mais do que ganhou ao entrar do PSB e de a presidente Dilma ter feito a ressalva, segundo relato de um dos presentes, que não dá para desconsiderar o peso político de Marina, no Planalto, a avaliação que se tentava passar era de que o principal derrotado neste processo era o candidato do PSDB, Aécio Neves. "A presidenta não tocou nisso, mas na (reunião) preliminar, quando se reúnem vários líderes, não se deixa de comentar (isso). Na preliminar, antes da presidenta tocar a pauta principal, ficamos comentando, alguns externaram opiniões com muito consenso, sintonia, de que o quadro no momento favorece a presidenta", comentou o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).

Na avaliação de Guimarães, quanto menos candidaturas, maiores as chances de a presidente faturar a eleição. "Havia uma discussão de Serra, Marina, Eduardo, Aécio, todo mundo candidato. Quanto menos candidaturas, as chances da presidenta se ampliam. Ela não falou, mas muito de nós falamos no bate-papo preliminar, antes da presidenta chegar ao local da reunião", disse Guimarães. O líder petista observou ainda que não é o momento de "bater boca" com o governador de Pernambuco, porque "houve esta separação e serei o primeiro a defender, em 2014, que o Eduardo volte para o palanque da Dilma".

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