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Análise: Dilema do candidato a vereador

Regras eleitorais devem premiar nomes tradicionais em função dos desafios para cada concorrente criar uma imagem junto ao eleitor

Rafael Cortez*, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 05h00

As eleições municipais de 2020 já têm seu lugar na história. Não se trata de um exagero retórico. A ocorrência do pleito eleitoral em meio a uma pandemia já seria suficiente para dar destaque à atual corrida eleitoral. Tal particularidade é ainda mais acentuada por uma importante alteração institucional, a proibição das coligações eleitorais nas eleições legislativas. As incertezas decorrentes deste cenário são especialmente reforçadas nas disputas para vereador. Os dilemas para os milhares de candidatos em busca de uma vaga no Legislativo foram bastante exacerbados. As regras eleitorais devem premiar nomes tradicionais em função dos desafios para cada concorrente criar uma imagem junto ao eleitor. O peso das redes sociais pode trazer, por outro lado, um fôlego para candidaturas não territorializadas, tais como os projetos de candidaturas coletivas. 

A busca por uma vaga no Legislativo é bastante desafiadora. Em geral, essas campanhas ficam na sombra da competição para prefeito. Consolidar a imagem de um postulante é uma tarefa inglória. O espaço na opinião pública é diminuto e os segundos no horário eleitoral são como “goiabada cascão em caixa”. A regra eleitoral incentiva os partidos a lançar o maior número de candidatos possível, reforçando o custo informacional para o eleitor encontrar seu candidato. Quanto mais candidatos por partido, maior a chance de conquista de uma vaga. 

A pandemia, nesse sentido, apenas exacerbou os desafios na conquista do voto, seja pela insegurança dos eleitores ou pela falta de impacto do debate para vereador. Há, assim, dois tipos de perfis competitivos em eleições com tamanha oferta de candidatos. Nomes com histórico anterior e com base eleitoral já consolidada; candidatos com elevada reputação de atividade fora da política.

As limitações ao corpo a corpo somadas ao peso das redes sociais na busca por informação política podem reforçar um tipo de representantes que perdeu espaço: sem base geográfica concentrada, mas associado a uma questão ideológica ou tema de política pública. Com esse custo informacional não é improvável que o “candidato a vereador” seja escolhido nos minutos antes da votação.

*DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA É SÓCIO DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA 

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