Dignidade e esperança, defende Campanha da Fraternidade

Uma aposentadoria mais digna para o idoso foi defendida nesta quinta-feira pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D.Raymundo Damasceno Assis. ?A aposentadoria precisa ser uma segurança para o idoso. Hoje não é assim?, afirmou o bispo ao lançar a Campanha da Fraternidade deste ano, que é centrada na terceira idade e tem como lema ?Vida, dignidade e esperança?.O bispo não chegou a estipular o valor que consideraria compatível com as necessidades dos idosos, alegando que a CNBB não trata de números. ?O que nos interessa é a pessoa humana, sua dignidade, seus direitos.? Para D. Raymundo, este também deve ser ?o critério que deve iluminar políticos e técnicos? na definição de uma aposentadoria capaz de garantir ao idoso uma vida digna. O bispo lembra que nesta faixa etária, normalmente, crescem as despesas médicas e com medicamentos e a aposentadoria é insuficiente paracobrir necessidades fundamentais.O coordenador da Pastoral da Terceira Idade e colaborador da CNBB, João Batista Lima Filho, alerta para uma discrepância entre as aposentadoria pagas no País. Segundo ele, pelo Anuário Estatístico do IBGE do ano passado, orendimento nominal médio de pessoas acima de 60 anos responsáveis por domicílios no Brasil era de R$ 657,00. No entanto, a maioria dos aposentados recebe um salário mínimo.Segundo ele, ?mesmo recebendo os míseros R$ 200,00?, o idoso é o responsável por uma em cada cinco famílias. Ele informa também que estudos do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) indicam que 80% das cidades com menos de 40 mil habitantes dependem dos aposentados para sobreviver.A soma das aposentadorias nestes municípios supera a arrecadação das prefeituras e os repasses do fundo de participação. ?Ou seja, nestas cidades com menos de 40 mil habitantes quem gira a economia é o mísero salário de R$200,00?, concluiu Lima Filho.A CNBB reconhece que o problema da aposentadoria não é apenas com o governo. Há casos em que donos de mercados retêm o cartão do aposentado. Na data do vencimento, o próprio empresário saca o dinheiro do cliente. Em outras situações, o idoso não tem acesso ao cartão, porque um parente desconta o benefício e gasta como quer.A CNBB ainda não conversou com o governo sobre reforma da previdência, porque a discussão apenas começou. Mas espera que a partir do término carnaval o tema seja pormenorizado e a entidade possa dar sua contribuição.No início deste mês, o conferência já tem uma reunião agendada com o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, para discutir a participação da Igreja no programa Fome Zero.A entidade também irá brigar pela aprovação do Estatuto do Idoso no Congresso Nacional e pela publicação no Diário Oficial da nomeação de Maria José Barroso para a presidência do Conselho Nacional dos Direitos dosIdosos, já indicada há 90 dias. CampanhaA expectativa de vida do brasileiro aumentou. Mas ao invés de aproveitar o conhecimento, a sabedoria e a maturidade adquiridos com o tempo, a sociedade considera o velho como um peso. A campanha da fraternidade quer mostrar que é necessário mudar a mentalidade materialista que leva à exclusão quem não produz. A Igreja também enfatizará que é em casa, com netos e bisnetos e o carinho dos parentes, onde o velho tem mais qualidade de vida.

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