Diário Oficial da União publica medida que anistia Lamarca

Decisão considera que ele foi vítima de ação do Estado, na ditadura militar

Marcelo de Moraes, do Estadão

13 de julho de 2007 | 18h42

O Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira, 13, oficialmente, a anistia política do ex-guerrilheiro Carlos Lamarca, o que lhe garante a promoção post mortem ao posto de coronel do Exército, com vencimentos equivalentes aos de um general de brigada. A decisão foi tomada pelo Ministério da Justiça, com base em decisão da Comissão de Anistia do dia 13 de junho, que considerou que Lamarca foi vítima de uma ação do Estado. Setores militares, especialmente da reserva, condenaram a decisão por considerar que Lamarca foi um desertor do Exército, não merecendo, portanto, nenhuma promoção.Um dos principais integrantes dos grupos de esquerda que combateram na clandestinidade o governo militar, Lamarca era capitão do Exército, em janeiro de 1969, quando desertou do quartel de Quitaúna, em São Paulo. Na fuga, feita com outros três militares, Lamarca levou pesado armamento que usaria nas ações da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). O ex-capitão acabou sendo morto pelo Exército, em 1971, quando já integrava o MR-8, depois de perseguição pelo sertão da Bahia.Pela decisão da Comissão de Anistia, a viúva de Lamarca, Maria Pavan, receberá os vencimentos salariais mensais aos quais o ex-capitão teria direito, se estivesse vivo, equivalendo a R$ 11.444,40. Além disso, pelo efeito retroativo, a viúva receberá ainda cerca de R$ 902 mil.Na mesma edição do Diário Oficial, Maria Pavan e seus filhos com Lamarca, Cláudia e César Pavan, também foram considerados anistiados políticos e receberam cada um indenização no valor de R$ 100 mil.

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