Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Diante de um governo hesitante, Pacheco mostra força com vitória de Anastasia; leia análise

Além de emplacar aliado na Corte, presidente do Senado ainda terá mais um parceiro político na Casa que comanda, já que o primeiro suplente de Anastasia é o secretário nacional do PSD

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 22h26

BRASÍLIA — A escolha do senador Antonio Anastasia (PSD-MG) para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) por larga margem de votos mostrou a força da articulação política do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Além de emplacar seu aliado na Corte, ainda terá, a partir de agora, mais um parceiro político na Casa que comanda, já que o primeiro suplente de Anastasia é o secretário nacional do PSD, o ex-deputado federal Alexandre Silveira.

Na prática, a articulação política de Pacheco a favor de Anastasia também foi favorecida pelo comportamento hesitante do governo de Jair Bolsonaro. Se o senador mineiro levou alguma vantagem por ter se lançado como candidato antes dos adversários Kátia Abreu (Progressistas-TO) e Fernando Bezerra (MDB-PE) e por ser considerado o mais capacitado tecnicamente para o posto, a indecisão do governo sobre quem apoiar na disputa favoreceu a vitória de Anastasia.

Inicialmente, o governo pareceu inclinado a pedir votos para Kátia Abreu. Essa disposição, porém, começou a arrefecer depois que os bolsonaristas descobriram que a vitória da parlamentar abriria uma vaga na Casa para mais um senador do PT. Isso porque o suplente da senadora é o petista Donizeti Nogueira, que presidiu o partido em Tocantins.

Com isso, o governo passou a olhar com mais atenção a candidatura de Fernando Bezerra. O problema é que, apesar de ser líder do próprio governo, o parlamentar pernambucano é visto como pouco alinhado ao bolsonarismo. Mesmo assim, Bezerra ainda tentou vestir mais fortemente o uniforme do governo ao agradecer, em seu discurso antes da votação, ao presidente “pela confiança” depositada nele ao indicá-lo como líder.

Essa hesitação na escolha acabou atrapalhando uma  campanha mais forte de um candidato do governo e representa a perda da oportunidade de Bolsonaro do de ter mais um aliado dentro do TCU. No fim do ano passado, o presidente já tinha indicado seu ex-ministro Jorge Oliveira para uma vaga no tribunal e pretendia ampliar essa influência numa Corte repleta de ex-parlamentares e com alto poder de fogo para fiscalizar e investigar gastos públicos. Tanto que aceitou indicar Raimundo Carreiro para a Embaixada do Brasil em Portugal justamente para abrir uma vaga na Corte - o ministro somente se aposentaria em 2023.

Para Pacheco, o resultado traz ainda um ganho extra. Pré-candidato ao Planalto, Pacheco mostrou, com a vitória de Anastasia, capacidade de negociação dentro do Congresso numa disputa envolvendo fortes líderes do Senado. Agora, se planeja, de fato, subir a rampa do Planalto, precisa mostrar essa capacidade para fazer sua candidatura pegar tração, o que não ocorreu até agora.

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