Diante de empresários, Serra defende reforma tributária

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, reafirmou nesta sexta-feira, em Florianópolis, que vai focar a gestão, caso seja eleito, na produção como forma de fortalecer a economia. Para o tucano, os recentes indicativos da desindustrialização precisam ser combatidos com uma política de valorização dos produtos e mercados, e na definição de uma nova ordem tributária.

JÚLIO CASTRO, Agência Estado

23 Julho 2010 | 16h41

"O Brasil precisa ser nivelado por cima. É o país que tem a menor taxa de investimento governamental e vem pecando pela falta de prioridade de investimentos, mostrando-se incapaz de trazer o setor público e privado para o desenvolvimento de sua estrutura", afirmou, durante encontro com cerca de 500 empresários na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

Sobre a reforma tributária, afirmou que se trata de uma necessidade e que ela não, necessariamente, precisará ser feita como um "carroção". O candidato disse que o atual governo nunca teve um projeto, e que as mudanças na legislação tributária precisarão ser feitas, mas nem todas ao mesmo tempo. "Vamos adotar a tática da guerra. Atacar o inimigo aos poucos. Atuar com a razão, pois nada se resolve como um rolo compressor", defendeu.

Serra atacou as deficiências em infraestrutura citando a situação dos portos. Afirmou que, num universo de aproximadamente 150, o Brasil está ranqueado como o 125º país com os piores portos. Acrescentou também as condições dos aeroportos, cada vez mais congestionados com falta de estrutura, na sua avaliação. "No Rio Grande do Norte, foi dada a concessão para a construção de um aeroporto. A pista foi construída pelo exército e, até onde sei, o terminal ainda não saiu. Não sei como nós vamos sair deste apagão na infraestrutura", afirmou.

Ao enumerar a perversidade de um tripé de imbróglios responsáveis pela preocupação do setor, defendeu uma política voltadas à definição de critérios para a consolidação do comércio internacional. O País, segundo ele, não possui uma política de defesa comercial, e as existentes estão entre as mais desleais da economia mundial. "Nos últimos anos, mais de 100 tratados de livre comércio foram assinados. O Brasil, até onde sei, só assinou um", disse.

Propostas

Serra deixou a Fiesc e seguiu para o centro da cidade, onde fez uma caminhada nas imediações do Mercado Público, um dos pontos mais populares da região central da capital catarinense. Mais tarde, durante sua participação num painel de debates promovido pelo Grupo RBS, questionado sobre sua política de privatizações, o candidato disse que privatização não faz parte do programa de seu governo.

Sobre a educação, afirmou que vai priorizar, caso eleito, o ensino médio com programas voltados ao aprendizado técnico. Prometeu abrir um milhão de vagas para o ensino técnico nas instituições educacionais pelo Brasil. "Temos que quebrar o nó existente no ensino médio. Ele é a chave do desenvolvimento do Brasil. O jovem quando chega ao nível médio não demonstra interesse. Ele precisa chegar neste estágio preparado e com a perspectiva de uma boa profissão", defendeu.

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