Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Diante de convocação de panelaço contra seu governo, Bolsonaro cita ato a seu favor

Manifestação contra o governo está marcado para esta quarta-feira, dia 18, às 20h30; presidente fala em outro protesto, às 21h

Paula Reverbel e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 17h33

Diante da convocação de um panelaço anti-governo federal, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), citou um outro panelaço – este a seu favor – a ser realizado 30 minutos depois da manifestação da oposição. 

“O jornal Hoje (TV Globo) e Veja online, divulgam, de forma ostensiva, panelaço hoje às 20h30 contra o Presidente Jair Bolsonaro”, escreveu o mandatário em sua conta do Twitter. “Mas a mesma imprensa, que se diz imparcial, não divulga outro panelaço, às 21h a favor do governo Jair Bolsonaro”, acrescentou.

Até a publicação desta reportagem, o Estado não havia localizado nenhuma convocatória de panelaço pró-governo para esta quarta-feira que tenha sido feita antes do post do presidente.

A convocação do panelaço anti-governo estava marcada desde a semana retrasada, mas originalmente se tratava de um convite para atos de rua. Diante do surto mundial de coronavírus, o formato foi convertido de aglomerações em espaços públicos para panelaços dentro das residências.

Na terça à noite, houve um pré-panelaço contra o governo em São Paulo, Rio e Brasília. Na capital paulista, ao menos doze bairros participaram: Bela Vista, Barra Funda, Campos Elíseos, Consolação, Higienópolis, Jardins, Perdizes, Pinheiros, Pompéia, Praça Roosevelt, Santa Cecília, Vila Madalena e Vila Romana. Também houve registros no Rio de Janeiro e em Brasília.

Bolsonaro tem sofrido fortes críticas por ter participado, no domingo, de uma manifestação de seus apoiadores em Brasília contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, ele ignorou a orientação de ficar em isolamento até refazer testes para o coronavírus.

A participação do presidente nos protestos fez com que ele caísse na mira de juristas e até ex-aliados. O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) chegou a anunciar que entraria com pedido de impedimento alegando crimes contra a saúde pública, mas depois disse que iria adiar o protocolo de entrega. A deputada estadual paulista Janaina Paschoal (PSL) pediu o afastamento do presidente e o jurista Miguel Reale Júnior – que assinou com Janaina o pedido que levou ao impeachment de Dilma – defendeu a necessidade de uma junta médica avaliar a sanidade mental do presidente.

O primeiro pedido de impeachment contra o mandatário chegou à Câmara na terça-feira.

“É mais uma demonstração de que ele não é sério”, afirmou Guilherme Boulos, pré-candidato à Prefeitura de SP pelo PSOL, sobre a convocatória do presidente para um panelaço pró-governo. “Bolsonaro é um palhaço. Mas ele que se cuide. Pode ser um tiro no pé. Me lembra o Collor pedindo pra todo mundo ir de verde e amarelo pra rua. O Brasil sabe no que deu”, completou.

Boulos é um dos responsáveis pelos atos anti-governo.

Atos de domingo

Nesta quarta-feira, o presidente tentou negar, em coletiva, que houvesse convocado apoiadores para os atos a seu favor do último domingo.

“O povo, por sua livre espontânea vontade, decidiu ir às ruas”, disse. “Não convoquei ninguém, não existe nem um áudio e nenhuma imagem minha convocando para o dia 15 de março. Existe um vídeo convocando para o dia 15 de março de 2015”, alegou, sobre os atos pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

No entanto, foi um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, quem divulgou vídeo da convocatória no último dia 7, afirmando ser sobre as manifestações do último domingo. 

“Presidente @jairbolsonaro se pronunciou agora pouco em Roraima sobre as manifestações de 15 de março”, escreveu. O presidente também compartilhou um vídeo da mesma viagem a Roraima. Na agenda oficial, consta a ida do mandatário para Boa Vista naquele mesmo dia 7.

 

 

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