Dia do Índio é bom pretexto para se informar sobre a causa

Neste Dia do Índio, não faltou informação sobre a causa. O Projeto Maloquinha recebeu em dez anos de vida, mais de dez mil jovens, que deixaram escritórios da Funai, como nesta semana, com algum conhecimento sobre as questões indígenas. Hoje, dezenas de pessoas, como índios da tribo Caingangue, assistiram na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) à exibição do documentário Índios Urbanos. O programa Globo Ecologia, por sua vez, homenageia Orlando Villas Bôas. O programa Maloquinha, gerenciado pela própria Funai, utiliza em Brasília vídeo, teatro de bonecos, leitura e visitas a uma exposição permanente de artesanato e a uma oca indígena tradicional.As visitas foram encerradas hoje, com o fim da semana comemorativa.Segundo Pablo Rave, monitor da Maloquinha, as aulas são fundamentais porque ensinam a verdadeira história do índio brasileiro. "Ensinamos a eles como os índios vieram para cá, o que faziam e como era sua economia. ?Mostramos, por exemplo, que não foi Cabral que ´descobriu´ o Brasil, porque quando ele chegou, os índios já estavam aqui. Com as nossas aulas, os estudantes passam a ter consciência de quem é o índio e o tanto que sofreu".Para a professora do Centro de Ensino Infantil de Taguatinga Número Oito, Elmadam Ferreira de Oliveira, a importância das palestras está no conhecimento que trazem sobre as origens do Brasil e do povo brasileiro. "É fundamental para qualquer pessoa saber de onde veio, só assim saberá quem realmente é". A visita da escola faz parte da comemoração da semana do Dia do Índio. Amélia de Souza, de quatro anos, aluna do Centro de Ensino de Taguatinga, disse que as "aulas são muito legais, porque fazem a gente aprender brincando". Rafael Silva, seis anos, também do Centro de Ensino, concorda com a colega. "Aqui a gente brinca, se diverte e aprende sobre os índios, que são nossos antepassados".As aulas são na própria sede da Funai, em Brasília, com a orientação de técnicos da instituição treinados para lidar com os estudantes. As crianças participam de toda esta programação durante o período de aulas e recebem um kit com material educativo sobre os índios brasileiros.Exposição mostra desamparo Em Porto Alegre, a exibição começou às 10h30min, no saguão da Usina do Gasômetro, onde também está sendo realizada uma exposição fotográfica e venda de artefatos produzidos pelas famílias indígenas que vivem no Bairro Lomba do Pinheiro.O filme retrata o processo migratório dos indígenas que trocaram o campo pela cidade e as conseqüências dessa mudança em seus costumes. Uma das abordagens do trabalho mostra as falhas na assistência da Fundação Nacional do Índio (Funai) aos grupos que deixaram o interior do Rio Grande do Sul em busca de sustento na capital.O desamparo obriga os Caingangues, hoje estimados em cerca de 400 em Porto Alegre, a sustentarem suas famílias com a venda de artesanato, exposto em espaços públicos como o Brique da Redenção.O documentário foi produzido pela e tem apoio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Porto Alegre e da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana (Smdhsu).Na TVO Globo Ecologia também apresenta fatia importante da história do índio brasileiro, aquela abraçada por Orlando Villas Bôas. O primeiro programa da série vai ao ar hoje, às 19h, no Canal Futura. Em cena, o primeiro perfil da temporada 2003: um especial sobre o sertanista Orlando Villas Bôas, também conhecido como o "cacique branco do Xingu", por lutar pela proteção dos índios daquela região.Apresentado pelo ator Cláudio Heinrich, o Globo Ecologia mostrará que Orlando Villas Bôas cumpriu a trajetória típica de um herói clássico, que sai de casa para enfrentar um desafio, consegue seu objetivo e retorna com a sensação do dever cumprido. O sertanista tinha oito irmãos e, após a morte dos pais, deixou os estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família.O programa mostra ainda que, já em 1943, junto com os irmãos Cláudio e Leonardo, Villas Boas tentou se inscrever na Expedição Roncador-Xingu. Impedidos pelos militares, que preferiam caboclos e pessoas que conheciam profundamente o interior do pais, usaram disfarces de sertanejos para conseguir a admissão. A partir daí, os Villas Bôas começaram sua batalha para proteger os índios da região do Xingu.O Globo Ecologia também falará da criação do Parque Nacional do Xingu, em 1961. Lá, Orlando Villas Bôas viveu décadas dedicado à preservação da cultura indígena. Sua atuação ajudou a transformar a mentalidade da população em relação aos índios, que na opinião dele "formam uma sociedade equilibrada, que respeita a natureza e onde adultos respeitam e tratam com carinho as crianças e os idosos".Ancorado em longa entrevista gravada pela produção do programa com a sertanista, em 1993, o Globo Ecologia também trará depoimentos de Darcy Ribeiro e de Orlando Villas Bôas Filho, primogênito de Orlando, que passou parte de sua infância no Xingu.

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