DHPP poderia ter encontrado recibo antes do Deic

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) poderia ter encontrado o recibo do Clube Sul América Saúde e Vida em nome do ex-prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel (PT), antes do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic).Na última terça-feira, peritos do DHPP estiveram examinando o salão da Rua Guaicuru, 80 F, depois de saberem que, no local, funcionava um desmanche. Não havia ninguém e foram recolhidos alguns papéis. Os peritos deixaram um par de luvas usadas no salão.Na quarta-feira, quem esteve no salão foi o delegado Edson Santi, do Deic, que também examinou todas as dependências e apreendeu diversos papéis. Santi tinha informação de que o local servira como cativeiro de Daniel.Quando viu o par de luvas da perícia, Santi desistiu de efetuar mais uma varredura, baseado na premissa de que, se os peritos tinham examinado o local, seria perda de tempo refazer o trabalho.De volta ao Deic, Santi achou que deixara alguma coisa para trás. "Demorei para dormir porque achava que alguma coisa tinha ficado para ser examinada." Nesta quinta-feira, assim que chegou ao departamento, resolveu voltar ao salão da Favela Pantanal. Pediu ao DHPP que designasse um perito. O que se apresentou foi o mesmo que estivera no salão dias antes.Santi, investigadores e o perito examinaram todos os papéis e as peças de carros. Um policial resolveu recolher de uma poça de água um pequeno papel branco. "Fiquei surpreso quando vi o nome do prefeito Celso Augusto Daniel", disse o delegado. Mais surpreso ficou o perito do DHPP. Ao ver o recibo ele empalideceu, reconhecendo que havia examinado muita coisa, mas não pensara nos papéis nas poças de água.O delegado Domingos de Paulo Neto, diretor do DHPP, afirmou nesta sexta-feira que o departamento tinha uma testemunha que indicara o cativeiro da Rua Guaicuri desde segunda-feira. Ao ser questionado por que os homens dele não encontraram o documento do ex-prefeito, afirmou: "Não descarto a possibilidade de que ele tenha sido colocado depois." Segundo o delegado, o importante é que todas as informações convergem para a de que o cativeiro tenha sido montado ali mesmo."Além do fato de a Blazer queimada ter sido encontrada na mesma rua, temos uma outra testemunha que apontava aquele lugar como sendo o cativeiro do prefeito." Ele disse ainda que os peritos do departamento encontraram fragmentos de impressões digitais no salão - não revelando quantos nem qual o estado dos fragmentos.O DHPP ouviu 50 testemunhas, requisitou 15 exames periciais, montou 5 retratos falados dos seqüestradores e efetuou 11 tentativas de reconhecimento.

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