DF não pagava Gautama por 'via normal', diz funcionária

Marlan Freitas diz que pagamentos do governo distrital à construtora eram feitos sem consulta de notas fiscais

Agência Brasil

22 de outubro de 2007 | 17h21

Os pagamentos feitos pela Secretaria de Agricultura do Distrito Federal à empreiteira Gautama não seguiam os procedimentos normais, de acordo com a chefe do Núcleo de Execução Orçamentária da secretaria, Marlan Peregrino Ramos Freitas. Ela depôs nesta segunda-feira, 22, na CPI da Câmara Legislativa que investiga denúncias de irregularidades em contratos da construtora baiana com o governo do Distrito Federal.  Veja Também: CGU encontra irregularidades em obras da Gautama no DF Piauí retoma obras da Gautama no Luz para Todos Gautama é declarada inidônea para operar em Alagoas  A Gauatama ficou conhecida após ser apontada como pivô da Operação da Navalha, da Polícia Federal, que descobriu um esquema de fraudes e desvios em obras públicas. Segundo Marlan, os pagamentos à construtora eram feitos sem análise das notas fiscais e em prazo muito menor que o habitual, por pressão do então ordenador de Despesas da Secretaria, Paulo Sávio. O deputado Cabo Patrício, integrante da CPI, considera que foi o melhor depoimento até agora, por ter sido o primeiro em que um depoente confirma a existência de irregularidades.  "Ela confirmou que existia pressão política, que existiram irregularidades, ilegalidades, que nenhum outro contrato da secretaria era pago como o da Gautama, até porque não existia um processo". A CPI ainda não recebeu o relatório da Controladoria Geral da União sobre os contratos da Gautama com o Distrito Federal. A CGU recomendou ao Distrito Federal que devolva R$ 1,57 milhões ao governo federal. O dinheiro é parte do que o Ministério da Integração Nacional repassou ao GDF para a construção de uma barragem no Rio Preto.  A Controladoria Geral da União encontrou irregularidades no contrato e recomendou a devolução dos recursos. Segundo a CGU, órgão que fiscaliza a aplicação do dinheiro da União, a licitação foi feita antes do estudo de impacto ambiental. A CGU também concluiu que Gautama atuou apenas como intermediária, já que venceu a licitação mas contratou outras empresas para fazer o trabalho, a preço bem menor do que o cobrado do GDF. Operação Navalha No dia 17 de maio, a Operação Navalha, da Polícia Federal,  prendeu 47 pessoas suspeitas de fraudes e licitações em obras públicas. O empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama,  é considerado o chefe da máfia das obras. Ele e seu filho, Rodolpho Veras, foram presos durante a operação. Além deles, foram presos também políticos como o ex-governador do Maranhão, seu filho e dois sobrinhos do governador atual do Estado, Jackson Lago. O ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, renunciou após ser acusado de receber propina de R$100 mil da construtora.

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