Dez mil sem-terra aguardam Lula em assentamento no MS

Pelo menos 10 mil sem-terra estarão aguardando o presidente Luís Inácio Lula da Silva, na próxima sexta-feira em Ponta Porã, na divisa com o Paraguai e a 290 quilômetros de Campo Grande. É grande a movimentação de sem-terra da região e outros municípios, que chegam ao lugar até de carroça. Dezenas de barracas estão sendo armadas perto do local marcado para um breve discurso de Lula, em frente à escola estadual do que é atualmente o Projeto de Assentamento Itamarati.O presidente vai inaugurar a colheita de feijão, milho e soja estimada em quase 55 mil toneladas, visitar núcleos de assentados, devendo permanecer durante duas horas no assentamento. A Cut-Rural (Central Única dos Trabalhadores Rurais), juntamente com outras entidades do gênero, preparou o Manifesto do Fórum da Terra, contendo reivindicações dos sem-terra, habitantes de quilombos e índios de Mato Grosso do Sul.O documento será entregue ao presidente, juntamente com relação de fazendas que devem ser vistoriadas no MS, que o movimento considera improdutivas. O manifesto ressalta que a reforma agrária está muito lenta no Estado, onde durante todo o ano passado foi implantado apenas um assentamento para 45 famílias. Nas proximidades da Fazenda Itamarati existem mais de 20 mil sem-terra acampados. Segundo levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o total de acampados no estado passa de 11 mil famílias, ou pouco mais de 50 mil pessoas. Existem ainda 44 mil famílias de sem-terra que fizeram cadastros através dos Correios.InvasãoOs 500 sem-terra que invadiram a Fazenda Santa Maria, situada em Rio Brilhante, leste do Mato Grosso do Sul e a 210 quilômetros de Campo Grande, continuam dentro da propriedade rural. Hoje o proprietário Mário Cerzeira tentou entrar com pedido de reintegração de posse no fórum daquela cidade, mas faltou anexar o mapa do imóvel. A justiça deverá conceder amanhã a liminar, autorizando despejo dos invasores.Desde a invasão, ocorrida na última segunda-feira, os sem-terra dizem que não deixarão o local sem negociação. Conforme garantiu Márcio Bissoli, um dos coordenadores do MST, os invasores estão pacificamente na fazenda, sem causar maiores problemas ao fazendeiros e moradores. Eles querem ser assentados no município ou região, alegando a espera de um ano "pela terra prometida pelo governo", vivendo em condições precárias.

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