Dez horas após invasão, índios deixam posto da Funai em MS

Eles tomaram o local gritando 'abaixo a fome'; ataque foi após Lula convocar imprensa a conferir 'resultados'

João Naves, do Estadão,

01 de agosto de 2007 | 21h13

Os índios guarani-kaiowás que invadiram a sede de um posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) na manhã desta quarta-feira, 1º, em Dourados, no Mato Grosso do Sul, deixaram o local no início da noite. A desocupação aconteceu por volta de 19 horas, depois que libertaram os oito reféns que estavam presos na sede do posto desde 9h30. Entre os reféns, estavam o chefe do local, que fica dentro da Aldeia Jaguapiru, Antônio Butterbend Júnior, três professores de artesanato e quatro funcionários do órgão do setor de segurança da Reserva Indígena de Dourados.   A invasão aconteceu porque há três meses as cestas básicas distribuídas pela Funai, não chegam na reserva. A invasão do local aconteceu aos gritos "abaixo a fome". O ataque aconteceu menos de 24 horas depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso que "a imprensa que denunciou a morte de crianças indígenas por fome em 2005 deveria voltar a Dourados para conferir o resultado".   Os indígenas vivem nas aldeias Bororó e Jaguapiru da Reserva Indígena de Dourados. Um dos líderes da invasão, o cacique Lucas Paiva, explicou que a tribo está "passando fome" e não recebe cestas básicas prometidas pelo governo há três meses. "As crianças das duas aldeias estão chupando cana para enganar a fome", afirmou.   Segundo o cacique Luciano Arévalo de Oliveira, apenas os índios que trabalham no corte de cana de açúcar e nas destilarias têm de onde tirar o sustento da família, o que não acontece com a maioria dos quase 12 mil índios que vivem na reserva. "Eles precisam de cestas de alimentos doadas pelo governo, principalmente as viúvas e idosos que não podem trabalhar".

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