Dez crianças indígenas morrem de fome em Alagoas

Dez crianças morreram antes de completar um ano, nos últimos 40 dias, na aldeia da Geripancó, que fica no município de Pariconha, a 311 quilômetros de Maceió. A informação foi confirmada hoje pela presidente do Comitê Intertribal de Mulheres Indígenas (Coime), Graciliana Celestino Wakanã, que ficou sabendo das mortes das crianças por meio da índia Maria do Carmo dos Santos, 63 anos, conhecida na tribo como Maria Berta. Ela é casada com o índio Elias Barbosa dos Santos, 65 anos. Os dois tiveram 10 filhos, mas apenas seis sobreviveram, os outros quatro morreram antes de completar um ano. As mortes foram provocadas pela situação de miséria e fome a que estão submetidos mais de dois mil índios das tribos Geripancó, Caruazú, Kotoquim e Kurumpancó, que ficam entre os municípios de Pariconha e Água Branca, no alto Sertão alagoano. As lideranças dessas tribos já pediram socorro à superintendência da Fundação Nacional dos Índios (Funai), em Alagoas. Eles ameaçam invadir Maceió e ocupar a sede da Funai caso não seja resolvido o problema da falta de água e alimentos nas aldeias. As tribos ficam na região próxima ao Vale do Moxotó, um dos lugares mais quentes de Alagoas.

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