Devanir comemora absolvição de Professor Luizinho

O deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP) comemorou hoje a absolvição do colega Professor Luizinho, que teve a cassação de seu mandato rejeitada ontem pela Câmara dos Deputados, por 253 votos a 183. "Meu sentimento é de alegria, não só meu, mas também do nosso partido", disse Ribeiro, que figura entre os fundadores do PT e é amigo pessoal de Luizinho e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Apesar de se mostrar entusiasmado com o resultado, ele negou insistentemente a existência de algum tipo de acordo entre PT e PFL, para que fossem absolvidos na votação de ontem tanto Luizinho quanto o deputado Ricardo Brant (PFL-MG)."Se houve acordo foi no Conselho de Ética", rebateu o deputado, afirmando que o conselho estaria arquitetado de forma a recomendar a cassação de todos os deputados envolvidos no escândalo do mensalão, sem que seja feita uma avaliação caso a caso. "O que há é um sentimento na Casa contra as CPIs e contra o Conselho de Ética", acrescentou.Ribeiro disse ainda que a tese de uma união entre o PFL e o PT em qualquer circunstância é "impossível", considerando a rivalidade e as diferenças políticas dos dois partidos.Ribeiro aproveitou para sair em defesa dos petistas envolvidos no esquema de caixa dois de campanha, jogando para a legislação eleitoral e para as falhas do sistema político brasileiro a responsabilidade pelas irregularidades cometidas. Ele destacou que até agora não foi provada a existência do mensalão e tratou como uma "tradição brasileira" o fato de parlamentares terem de buscar junto a amigos e entidades o dinheiro para financiar suas campanhas eleitorais. "Nós não fizemos a reforma política e deu no que deu", disse o deputado. "A legislação brasileira é a responsável por todos os desmandos que ocorreram na eleição".Ao falar sobre a necessidade de uma reforma política, Ribeiro defendeu, por exemplo, a extinção do Tribunal Superior Eleitoral e a transferências de casos de irregularidades cometidas por parlamentares para a Justiça comum. Além disso, contestou o fato de os próprios parlamentares darem a palavra final sobre a cassação de mandatos de seus colegas. "Eu acho que deputados e senadores não foram eleitos para cassar uns aos outros." Segundo ele, um dos maiores problemas do atual sistema é o fato de parlamentares enfrentarem um julgamento político em vez de um julgamento técnico e jurídico.Ribeiro, que divide um apartamento em Brasília com Luizinho, esteve ontem na festa realizada na residência dos dois deputados para comemorar o resultado da votação. De acordo com ele, a festa contou com a presença de parlamentares, familiares e amigos de Luizinho. Na lista estavam, por exemplo, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho; os deputados João Paulo Cunha (SP) e Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), além do líder do partido Arlindo Chinaglia (SP).

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