Detido diz que enviou cartas porque é o 'deus da proteção'

Aloizio de Sousa afirma ter enviado cartas a embaixadas com um pé verde para chamar a atenção

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde,

26 de outubro de 2007 | 10h24

O homem detido pela polícia como suspeito de ter enviado cartas a embaixadas com um pó verde reconheceu a autoria das correspondências e afirmou que fez isso para chamar a atenção. Divino Aloizio de Sousa, de 41 anos, foi preso na noite de quinta-feira, 25, em um sítio em Itapevi, na Grande São Paulo, depois de investigação conjunta entre a polícias Civil, Federal e a Agência Brasileira de Inteligência.  Segundo ele, as cartas eram um tipo de protesto para chamar a atenção. "Está para explodir ogivas nucleares nos Estados Unidos e na Rússia, pois venceram os prazos de validade dessas bombas", disse. Os envelopes foram enviados a mais de 20 embaixadas, empresas de comunicação, jornalistas e entidades. Algumas tinham até 16 páginas. "Em cada uma ele ia mudando o conteúdo. Falava em fundamentalismo e incluía cópias de coisas encontradas em sites e no Orkut", afirmou o delegado-geral do Estado de São Paulo, Maurício Freire. Durante dois dias, o caso mobilizou a polícia. Houve tumulto no Setor de Embaixadas, em Brasília, que teve a segurança reforçada, inclusive com policiais do grupo antibombas. Para o homem, que aparenta ter problemas mentais, ele não se considera terrorista. "Sou o deus da proteção. Meu poder é superior ao do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Tudo o que estou fazendo está baseado em leis. Já faz três anos que mandava releases para a imprensa, mas nunca recebi a atenção de nenhum jornalista. Quis chamar a atenção para algo mais sério que está para acontecer", disse. Boa parte das correspondências levava a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras, levavam a assinatura do governador José Serra. Suspeita de homicídio Segundo o diretor da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Domingos de Paula Neto, Sousa foi à escola onde estudou para pedir o prontuário. Não foi atendido e teria dito à diretora que uma desgraça aconteceria em 66 dias. "Coincidentemente ou não, o pai dela morreu. Vamos investigar se há alguma ligação." O delegado não soube precisar quando ocorreu a morte nem as causas e disse que isso será investigado pela polícia. No sítio de Sousa, foram recolhidos materiais e computadores que podem ajudar nas investigações. Além disso, a polícia encontrou também talões de cheque e identidades, que seriam produtos de roubo. Por isso, além da contravenção de falso alarme, pelas cartas, ele será indiciado por receptação. A polícia descarta, por enquanto, qualquer ligação do suspeito com algum órgão, mas as investigações continuam. Ele vai passar por exames médicos e psicológicos. Por enquanto, ficará preso na sede da DHPP, na região central de São Paulo.

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