Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

‘Deterioração da democracia não é espantalho, é ameaça real e presente’, diz Schwartsman

Ex-diretor do BC e um dos signatários do manifesto em defesa do sistema eleitoral, economista diz que não se pode fazer ‘vista grossa’ diante da postura adotada pelo presidente Bolsonaro

Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 15h47

A retórica adotada pelo presidente Jair Bolsonaro contra instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o sistema eleitoral brasileiro invoca uma ameaça real para a democracia do País. A avaliação é do ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, um dos signatários do manifesto ‘Eleições serão respeitadas’, que reuniu centenas de empresários, banqueiros, economistas, diplomatas e juristas em oposição às ameaças do mandatário.

“Não tem como fazer vista grossa para quem ameaça o processo democrático. A gente viu isso acontecendo nos Estados Unidos, mas as instituições seguraram o tranco. Outros países tiveram menos sorte: vimos uma deterioração da democracia na Hungria, na Polônia, na Turquia. Isso não é um espantalho, é uma ameaça real e presente”, afirma Schwartsman, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Para o economista, a escalada das declarações de Bolsonaro, que nos últimos dias repetiu acusações de fraude nas eleições, disse que não haveria eleição em 2022 sem “eleições limpas” e atacou os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes –  mostram um aumento do risco de ruptura institucional no País.

“Dizer que só vai ter eleição com o ‘voto auditável’, esse discurso de ‘só pode ser do meu jeito’, deixa muito claro que Bolsonaro tem um risco considerável de perder a eleição e está indo na esteira do (ex-presidente dos EUA Donald) Trump, de desqualificar o processo eleitoral”, afirma.

“Não é só uma questão da retórica presidencial, se insere em um problema mais grave que é uma piora das instituições e uma ameaça concreta contra essas instituições, e isso a gente não pode admitir.”

Para Schwartsman, o documento traz um peso importante por evidenciar a oposição à postura de Bolsonaro dentro de um setor que é normalmente visto como uma potencial base de apoio para o governo. “Mas são pessoas que entendem que a democracia é mais importante. Não é só a eleição, é o respeito aos direitos das minorias, é a conservação das instituições. Há uma série de valores que nos guia”, diz o economista.

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