Desvios na Câmara começam a ser apurados

O corregedor da Câmara, ACM Neto (DEM-BA), deu início à investigação contra dois deputados suspeitos de participar de esquema de venda de passagens aéreas da cota parlamentar. A comissão administrativa da Casa apresentou elementos envolvendo os deputados Paulo Roberto (PTB-RS) e Eugênio Rabelo (PP-CE), que justificaram a criação de uma sindicância parlamentar pelo corregedor para apurar a suposta participação dos dois na chamada "máfia das passagens?. Outros três deputados serão objeto de investigação. ACM Neto vai fazer diligências para esclarecer até que ponto os deputados Márcio Junqueira (DEM-RR), Roberto Rocha (PSDB-MA) e Raymundo Veloso (PMDB-BA) tiveram ligação com o esquema. "O relatório foi denso para evidenciar participação de servidor. Mostra de maneira quase inequívoca que havia uma máfia de comercialização de passagens, mas é insuficiente para chegar à conclusão da participação de parlamentar", afirmou o corregedor. A investigação atingiu 45 gabinetes e envolveu o mesmo número de funcionários. ACM Neto decidiu recomendar que os 23 funcionários que ainda permanecem nos gabinetes sejam demitidos. Como são contratados sem concurso público pelos deputados, cabe aos parlamentares essa exoneração. Todos os 45 funcionários apontados pela sindicância administrativa estão respondendo a processo disciplinar.ACM Neto não descarta a hipótese de mais deputados serem objeto de investigação. "Se no processo administrativo surgirem nomes de mais deputados, não há embargo para investigação", disse o corregedor. Ele não fixou prazo para a conclusão dos trabalhos da comissão de sindicância. Regimentalmente, o prazo é de 45 sessões, com possibilidade de prorrogação por igual período. Caberá a essa comissão, após a investigação, sugerir ou não a abertura de processo no Conselho de Ética. A comissão de sindicância é formada pelos deputados Mendes Ribeiro (PMDB-RS), Marcelo Ortiz (PV-SP), Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) e Odair Cunha (PT-MG), além do corregedor. O Estado tentou falar com Paulo Roberto e Eugênio Rabelo, mas eles não responderam.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.