Desvios em fundos de pensão têm mesmo DNA de esquemas do mensalão e Petrobrás, diz presidente de CPI

Segundo Efraim Filho, que preside a CPI dos fundos de pensão, 'personagens dos escândalos se interligam'; deputado citou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, ambos presos pela Lava Jato

Elizabeth Lopes e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2015 | 18h13

O presidente da CPI dos Fundos de Pensão, Efraim Filho (DEM-PB), afirmou nesta segunda-feira, 16, que o mesmo modus operandi dos desvios nos cofres da Petrobrás, investigados pela Operação Lava Jato, e do escândalo do mensalão, foi utilizado para o aparelhamento, tráfico de influência e desvios de recursos dos fundos de pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros), Caixa Econômica Federal (Funcef), Correios (Postalis) e Banco do Brasil (Previ). "Os personagens desses escândalos se interligam", disse o parlamentar, citando especificamente o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, ambos presos pela Lava Jato.

Em entrevista ao Broadcast Político, o deputado defendeu a prorrogação em mais de 60 dias do trabalho do colegiado, a contar a partir de 8 de dezembro, para que se esclareça "quem ganhou com esses desmandos e com essa máquina de corrupção dentro do governo, utilizada para financiar um projeto de poder e saquear os cofres públicos". O requerimento para a prorrogação da CPI já foi aprovado, mas a medida precisa do aval do plenário da Câmara. Efraim acredita que, apesar do imbróglio que cerca o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o peemedebista deverá pautar essa prorrogação. "O apelo social de nossa CPI junto à sociedade é grande, pois mexe com direitos dos aposentados, viúvas e pensionistas."

Nesta terça-feira, 17, a CPI ouve o empresário Eike Batista com o intuito de levantar detalhes sobre os aportes financeiros que suas empresas receberam de fundos de pensão. A CPI aprovou também a convocação do ex-gerente de serviços da Petrobrás Pedro Barusco, um dos delatores da investigação Lava Jato, nesta quinta-feira, 19. Os quatro fundos de pensão investigados pela CPI movimentam cerca de R$ 350 bilhões e Efraim Filho destaca que o déficit dos três fundos geridos por correligionários ligados ao PT - Petros, Funcef e Postalis - é da ordem de R$ 25 bilhões. "Não por acaso, o único fundo não gerido por um petista, que é o Previ, é o único não deficitário", afirma. 

Efraim Filho diz que, ao contrário da CPI da Petrobrás, que acabou poupando do relatório final políticos envolvidos nos desvios da estatal, a dos Fundos de Pensão, além de mostrar os responsáveis pelos problemas, quer propor mudanças no modelo de previdência complementar no Brasil. "Vamos fazer muito mais do que a pizza que a CPI da Petrobrás produziu", alfinetou.

Um dos focos da CPI dos Fundos de Pensão é averiguar a formação da empresa Sete Brasil, concebida no governo Luiz Inácio Lula da Silva para construir as sondas com as quais a Petrobrás exploraria as reservas de petróleo do pré-sal. A nova companhia, em menos de um mês de criação, recebeu aporte de R$ 3 bilhões de Previ, Petros e Funcef. "Precisamos ver se teve alguma ordem de cima para isso", disse o deputado do Democratas. Barusco, que será ouvido nesta quinta-feira, foi diretor da Sete Brasil e indicado para o cargo por Renato Duque, diretor da Petrobrás tido como braço do PT no esquema investigado pela Lava Jato que participou ativamente da formação da companhia. 

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