Desvio no FAT responde a inquérito policial

O Ministério Público Federal (MPF) transformou nesta terça-feira em inquérito policial o procedimento administrativo que apurava o desvio de dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para campanhas de vereadores do PT nas últimas eleições e a concessão de vantagens para quatro empresas particulares.Uma delas, a Informe Publicitário, é de propriedade de Carmen Lúcia Baurana Recalde, irmã da secretária de Comunicação Social do Mato Grosso do Sul, Sandra Recalde.São denúncias apuradas pelos promotores que foram enviadas para a Polícia Federal (PF), onde os acusados serão ouvidos. As informações são do chefe do MPF no Mato Grosso do Sul, Blau Yassine Dalloul. Ele afirmou que valores variando de R$ 4 mil a R$ 25 mil foram usados em 23 repasses para a Informe Publicidade. "Estamos há três meses investigando, pedimos declarações à Secretaria de Assistência Social, Cidadania e Trabalho, e não houve demonstração de que a verba saía do Estado de forma certa, regular", afirmou o promotor. Sobre o uso de verbas para a campanha municipal do PT, Dalloul disse que as supostas determinações superiores teriam partido de secretários do Mato Grosso do Sul para que o dinheiro do FAT fosse usado na campanha política de candidatos a vereador do PT. Ele acredita que, somente em 2000, os desvios chegaram a mais de R$ 500 mil, porém, ainda restam levantamentos a serem realizados referentes a 1999, quando um volume bem maior foi empregado indevidamente. Para o secretário de Governo do Mato Grosso do Sul, Ben-Hur Ferreira, as denúncias devem ser rigorosamente apuradas, ressaltando que "os culpados devem ser exemplarmente punidos".O mesmo posicionamento tem o presidente do Diretório Municipal do PT de Campo Grande, Mariano Gabreira. Ele acredita que nenhuma das denúncias terá procedência, explicando que "qualquer dinheiro que sai do FAT tem de ser, obrigatoriamente, empenhado, com as devidas explicações sobre a finalidade de cada pagamento".

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