Desvio do Banpará foi de R$ 36 milhões

Procuradores da Câmara de Defesa do Patrimônio Público avaliaram que o desvio do Banco do Estado do Pará(Banpará), na época em que o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), era governador do Estado, foi de R$ 36,4 milhões em valores atuais.Em 10 dias, o Ministério Público Federal vai apresentar o relatório conclusivo sobre o caso, e pode mostrar odestino final do dinheiro, que teria sido depositado em contas de empresas e familiares de Jader.Os procuradores esperam terminar o relatório antes do fim do recesso parlamentar, mostrando nele que, na época, osdesvios equivaleriam a U$ 7 milhões.Com os juros e pela atualização cambial, o total da dívida hoje aproxima-se de R$ 40milhões.A conclusão dos procuradores sairá antes do término das investigações dos promotores de Justiça de Belém, queanalisam os relatórios feitos pelo inspetor do BC, Abraão Patruni Júnior, iniciados em 1988 e concluidos três anos depois.Os procuradores chegaram aos valores por meio de uma conta no Citibank, cujo titular seria o presidente do Senado.No finalda apuração, o Ministério Público Federal pode sugerir a abertura de uma ação de responsabilidade solidária de todos osenvolvidos.Nesta quinta-feira, a comissão de promotores e os auditores do Banco Central que investigam os desvios do Banpará tambémencontraram indícios da participação do presidente do Senado e de sua ex-mulher, a deputada federal Elcione Barbalho(PMDB-PA), no episódio.Mas, até agora, os investigadores não conseguiram comprovar com segurança que os dois ficaram como dinheiro, já que existe uma lacuna na movimentação feita no período. Na análise dos relatórios do BC, feitos pelo inspetor Patruni Junior, os técnicos do Banco Central, Antônio Benito de Souza ? doDepartamento de Combate aos Ilícitos Financeiros do BC ? e Nelson Rodrigues de Oliveira e três promotores, não conseguiramainda identificar os beneficiários do dinheiro desviado.Mas, segundo um procurador que participa das investigações, o destinopode ter sido as duas irmãs do senador, seu pai e a deputada federal Elcione Barbalho.As contas para onde os recursos foramenviados não têm nome e eram controladas pelo próprio banco.Mas, os nomes de Jader e Elcione aparecem. ?Os indíciosaparecem, mas temos que ser cautelosos?, afirmou um dos investigadores.Durante os quatro dias de análise dos documentos, os técnicos do BC e a comissão do Ministério Público do Estado avançarampouco na apuração do desvio de R$ 10 milhões do Banpará, ao contrário dos procuradores federais, que estão contando comapoio de um grupo especial de análise de documentos contábeis.O principal problema está na montagem do caminho seguidopelo dinheiro. Os investigadores explicam que, no decorrer dos trabalhos, aparece uma lacuna que impede o desenrolar da apuração.Depoisdisso, o dinheiro reaparece em 11 contas no Banco Itaú do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Para se chegar aos beneficiadoscom o desvio, os promotores já têm certeza que será necessário a quebra de sigilo bancário dos correntistas, mas, antes disso,pretendem realizar nova diligências, não só no Pará, mas em outros locais do País.Nesta quinta-feira, o delegado da Polícia Federal, Luiz Fernando Ayres Machado, começa a ouvir em Belém, os principaisenvolvidos nas negociações com Títulos da Dívida Agrária (TDAs).O advogado Paulo Lamarão, desafeto de Jader Barbalho,contra quem já impetrou 16 ações na Justiça, será o primeiro a depor.Ele é um dos acusadores do presidente do Senado noepisódio da desapropriação da fazenda Paraíso, que gerou a venda de TDAs pelo empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silvapara o ex-banqueiro Serafim Rodrigues Morais e sua mulher, Vera Arantes Dantas.O casal acusou Pedrosa de ser intermediáriode Jader na negociação.Os próximos depoimentos, que estão marcados para segunda-feira, serão de ex-assessores de Jader, como o ex-deputadoAntonio Pinho Brasil, condenado pelas irregularidades na desapriação da fazenda.Na terça-feira, o presidente do Senado seráinterrogado pelo delegado Ayres Machado.

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