Desvio de cestas para sem-terra é investigado em MS

Milhares de cestas básicas de alimentos destinados aos sem-terra de 110 acampamentos do Mato Grosso do Sul foram desviadas para várias finalidades consideradas no mínimo irregulares, de acordo com investigação da Polícia Federal (PF). Segundo o Ministério Publico Federal (MPF), no ano passado foram requisitadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) 48 mil cestas do gênero e no ano anterior 56 mil, ao preço de R$ 68 cada.

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, Agência Estado

17 de janeiro de 2011 | 19h05

Apenas 16% dos acampados receberam os alimentos. Os demais estão sendo alvo de investigação da PF, para apurar as responsabilidades. Segundo o procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, está sendo estudado o enquadramento dos responsáveis pelos desvios, podendo ser enquadrados em ação civil ou criminal.

A descoberta do "rombo" começou em agosto de 2010, quando foi realizada a Operação Tellus, da PF. Na ocasião, o alvo foi a Fazenda Santo Antônio, situada em Itaquiraí, extremo sul do Estado, onde foram identificados 400 lotes de assentados do Incra ocupados por famílias que compraram o terreno, através de especuladores imobiliários. Algumas glebas da reforma agrária no local haviam sido transformadas em chácaras de lazer.

Conforme informação do superintendente do Incra no MS, Manuel Furtado Neves, "12 servidores do órgão que foram indiciados como participantes ativos das vendas irregulares dos imóveis estão afastados do cargo e proibidos de entrar no Incra". Em setembro do mesmo ano, o MPF passou a investigar a entrega de cestas básicas e descobriu que existe em todo o MS por volta de 2.500 famílias de sem-terra acampados credenciados para receber ajuda alimentar.

Manuel explicou que desde quando assumiu o Incra-MS, em agosto de 2010, cada sem-terra tem que provar a necessidade do alimento, ser cadastrado e assinar o recebido de entrega da cesta básica. "Eu acredito que os prejuízos não sejam pequenos e haverá ressarcimento, não apenas desses dois anos, mas também dos anteriores. As entregas são trimestrais e até agosto do ano passado, pelo menos 10 mil cestas eram excedentes em relação ao número de beneficiários legais", disse.

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