'Destruíram a imagem de meu pai', diz Zeca Dirceu

A reclusão adotada pelo ex-ministro José Dirceu desde a aproximação do julgamento do mensalão tem sido reproduzida por sua família e amigos mais próximos para evitar qualquer declaração sobre o escândalo. Mas seu filho mais velho, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), rompeu o silêncio e falou sobre como o réu e sua família estão vivendo esses "sete anos de pancadaria", desde que Dirceu deixou a Casa Civil.

DÉBORA BERGAMASCO, Agência Estado

24 de agosto de 2012 | 09h49

"Meu pai está sendo massacrado. Nada do que acontecer daqui para frente pode ser pior, nem para ele, nem para nós, do que tudo o que passamos nesses sete anos", afirmou Zeca, de 34 anos. Ele ressalta que está mais acostumado com o jogo político - foi prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR) por dois mandatos e atualmente é deputado federal -, mas para as duas irmãs, que não são dessa área, está sendo ainda mais difícil de lidar com esta situação. "Elas são novas, uma delas tem 22, a outra tem 24 anos, imagine como fica a cabeça delas?"

Zeca diz que a família está confiante no resultado do julgamento, mas, independente disso, o pai já foi condenado. "Destruíram a imagem dele, que tanto tempo ele levou para construir. O que pode ser pior que isso? É um massacre, inclusive por parte da mídia", aponta. "Ele vive como condenado. E a família sofre junto, eu, minhas irmãs, minha avó de 92 anos, que é a mãe dele."

A avó, acrescenta, não entende exatamente o que está acontecendo, mas ela lê, assiste aos jornais na TV. "É muito difícil para ela. Traçando um paralelo, a minha avó foi criada na Igreja Católica, ela nunca entendeu essa coisa de guerrilha, da qual meu pai participava", frisa.

Ainda sobre a participação do pai na luta contra a ditadura militar, diz que, passados dez, 20 anos, hoje ter sido engajado nas lutas de guerrilha é até motivo de orgulho nacional, mas teme o impacto das denúncias que agora pesam sobre o pai para sua imagem no futuro. "Essas acusações de agora, daqui a um tempo, vão pesar. Não sei qual será o peso, mas haverá." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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