Despesas obrigatórias serão reduzidas em R$ 15,8 bilhões, diz Mantega

Já as despesas discricionárias caíram R$ 36 bilhões; segundo o ministro, corte não significa mudança na política econômica

Eduardo Rodrigues, Fabio Graner, Gustavo Porto e Renata Verissimo, da Agência Estado

28 de fevereiro de 2011 | 16h17

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta segunda-feira, 28, que as despesas obrigatórias tiveram um corte de R$ 15,762 bilhões, enquanto que as despesas discricionárias caíram R$ 36,201 bilhões. O governo também fez alguns vetos à Lei Orçamentária (LOA) de 2011 que, segundo Mantega, representam uma redução de despesas de R$ 1,623 bilhão.

 

Veja também

linkGoverno reduz previsão de gastos com subsídios pela metade, a R$ 7 bi

linkDespesas da União vão cair 1 ponto percentual do PIB, diz Miriam

 

Além disso, o governo aumentou a projeção de despesas com créditos extraordinários em R$ 3,5 bilhões. Dessa forma, o corte de gastos totalizou R$ 50,087 bilhões. Mantega destacou que a proporção das despesas em relação ao PIB caiu para 17,8% em 2011, um ponto porcentual a menos que no ano passado.

 

Receita. O ministro da Fazenda explicou que o governo reduziu em R$ 18,087 bilhões a previsão de receitas líquidas para 2011. A maior revisão ocorreu na arrecadação da CSLL, que caiu em R$ 6,1 bilhões. No recolhimento do Imposto de Renda foi uma queda de R$ 3,1 bilhões na previsão para este ano. Outros R$ 3,9 bilhões foram retirados da estimativa de arrecadação do IPI.

 

Mantega disse que houve um aumento na projeção de recolhimento da Cofins, mas não citou valores. "Esta revisão reduz a possibilidade de gastos", disse o ministro. "Temos que ser mais realistas", completou, afirmando que a revisão é normal. "São R$ 18 bilhões que poderíamos estar colocando nos gastos", destacou Mantega.

 

'Corte não é mudança na política econômica'

Mantega ainda alegou que o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União, a fixação do salário mínimo em R$ 545, o aumento dos juros e as medidas macroprudenciais que vêm sendo adotadas não significam uma mudança na política econômica do governo.

 

"Não teria razões para mudar a política bem sucedida que levou o País ao desenvolvimento, ela apenas está sendo adaptada ao novo cenário que o país está vivendo", afirmou o ministro.

 

Segundo ele, o Brasil deve ter crescido a uma taxa de 7,5% em 2010, e uma expansão continuada nesse patamar levaria à criação de gargalos. "É uma aceleração excessiva pra economia brasileira, então estamos conduzindo economia para patamar mais sustentável, que é 5%", acrescentou.

 

Mantega ainda afirmou que as medidas não têm o objetivo de "derrubar a economia para ter um crescimento pífio e modesto como no passado".

 

'Cortes são cota de sacrifício para controlar inflação'

O ministro Wagner Rossi disse há pouco à Agência Estado que o corte de R$ 1,47 bilhão no orçamento de cerca de R$ 9 bilhões do Ministério da Agricultura "é uma cota de sacrifício, um esforço para cumprir as tarefas do ministério com menos recursos e tudo para uma causa boa: a contribuição efetiva do governo para o combate à inflação". De acordo com o ministro, a Agricultura não foi um dos ministérios que teve, proporcionalmente, o maior porcentual de cortes, mesmo com cerca de 16% de bloqueio.

 

Rossi afirmou ainda não ter detalhes sobre quais áreas do ministério sofreram mais cortes, mas garantiu que foram preservados os recursos para a sanidade, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e para demandas do Agricultura em obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). "Estava em uma série de reuniões pela manhã e só vou avaliar agora como ficará o orçamento; depois eu posso detalhar melhor", concluiu o ministro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.