Despesas com campanhas mantêm curva ascendente

Candidatos majoritários estimam gastar mais este ano, provavelmente o último no qual serão permitidas doações de empresas nas eleições

O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2014 | 02h01

As previsões de despesas apresentadas pelas campanhas majoritárias mostram que a curva de gastos com as eleições no Brasil continua ascendente no ano que provavelmente será o último em que as doações de empresas serão permitidas.

O gasto total, na disputa pela Presidência, subiu 49%, de R$ 611,5 milhões (valores atualizados pelo IPCA geral) em 2010 para R$ 916,7 milhões este ano. O PT informou que Dilma Rousseff estima gastar R$ 298 milhões - em 2010 sua campanha custou R$ 237 milhões (valores também atualizados).

O candidato tucano Aécio Neves terá teto de R$ 290 milhões, próximo ao da presidente. Quatro anos atrás, o então candidato do PSDB, José Serra, estimou gastar menos: R$ 223 milhões (corrigidos). Já Eduardo Campos, do PSB, anuncia R$ 150 milhões - 25% a mais do que registrou sua companheira Marina Silva, em 2010.

O teto de gastos é uma referência. Nem sempre é atingido e pode ser alterado na campanha. Ele indica, porém, uma tendência de alta de gastos eleitorais - que, no entanto, poderá sofrer uma mudança radical nas próximas campanhas. Basta o Supremo Tribunal Federal confirmar a proibição de doações de pessoas jurídicas.

Em abril, a maioria do STF (6 a 1) votou por proibir doações de empresas a campanhas e a partidos. O julgamento foi suspenso porque o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. Faltam os votos de quatro ministros.

Bases. Um indicativo de como as campanhas estão cada vez mais profissionalizadas e caras pode ser medido pelas estruturas montadas pelos candidatos.

Os oposicionistas Aécio e Campos decidiram montar suas bases na capital paulista, centro financeiro do País. O senador tucano terá quatro núcleos operacionais na cidade, incluindo um comitê central numa elegante mansão no bairro dos Jardins, que funcionará como posto avançado da distribuição de material, dos contatos regionais, entre outros; um QG do marqueteiro Paulo Vasconcellos instalado em um prédio de três andares no Brooklin, além de dois outros imóveis para comunicação e redes sociais.

Aécio já conta com uma estrutura quase presidencial. Seus deslocamentos, sempre de jatinho, envolvem diversas equipes compostas por cinegrafista, ajudante, fotógrafo, assessores de imprensa, entre outros auxiliares.

Campos vai inaugurar seu comitê central esta semana. A campanha alugou um imóvel na Vila Clementino, zona sul da cidade - o mesmo que usou em 2002 o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Campos e sua vice Marina vão dividir uma mesma sala no local. O ponto fica próximo ao Aeroporto de Congonhas, à sede estadual do PSB e ao flat que Campos alugou na capital. Nos demais Estados, como no Rio e no Distrito Federal, a campanha vai usar o espaço das sedes do partido. Os deslocamentos serão feitos com jatinho alugado pelo PSB.

Máquina. Embora o PT estime gastos de quase R$ 300 milhões na campanha, até agora o time de Dilma Rousseff tem usado a estrutura do PT em São Paulo e em Brasília. As reuniões da coordenação ocorrem no Palácio da Alvorada. Dilma participou de oito eventos partidários na pré-campanha, mas conseguiu "casar" essas viagens com as agendas oficiais.

Segundo o secretário nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, o partido não vai ressarcir as despesas. "Não temos como ressarcir as viagens da pré-campanha. A legislação eleitoral não permite gastos de campanha antes da formalização dos comitês financeiros", disse Vaccari.

Embora a corrida eleitoral comece oficialmente hoje, o PT ainda não completou o comitê da campanha, em Brasília me, a estrutura para gravação e produção dos programas de TV. Parte da equipe quer um comitê em São Paulo. Outra parte prefere que Dilma aproveite a estrutura do candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha. / PEDRO VENCESLAU, ISADORA PERON, RICARDO GALHARDO e ERICH DECAT

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